Sarkozy promete manter posição da França na OMC

da BBC, em Londres

O ministro do Interior da França e candidato à Presidência do país, Nicolas Sakozy, prometeu nesta quarta-feira manter a atual posição da França no tocante às negociações na Organização Mundial do Comércio, caso ganhe as eleições de abril.

As negociações para a liberalização do comércio mundial estão emperradas, e um dos motivos disso é a insistência dos países mais ricos em manter subsídios internos e das tarifas de importação de produtos de países em desenvolvimento.

A França se recusa a aceitar um corte maior que o já proposto nas tarifas de importação agrícolas européias - reivindicação feita pelo Brasil e outros países emergentes para desbloquear as negociações.

"Não estou disposto a ceder em relação à independência alimentar da Europa. A agricultura é algo estratégico para a Europa", disse Sarkozy, em resposta à pergunta da BBC Brasil durante uma coletiva em Paris, em que detalhou seus planos na área de política externa.

"Eu entendo que o Brasil, que é uma potência que respeito, queira um lugar para seus produtos agrícolas. Mas não há nenhuma razão para deixarmos desaparecer o que os nossos predecessores lutaram décadas para conquistar", disse Sarkozy, em relação à política agrícola comum da Europa.

Mandelson

O comissário europeu para o comércio, Peter Mandelson, já chegou a sugerir que a Europa poderia fazer novas concessões em relação ao corte de tarifas agrícolas, mas a França tem protestado contra a iniciativa e criticado a atuação de Mandelson.
 Quando vejo a determinação do presidente (dos Estados Unidos) George Bush em defender os agricultores americanos, eu me pergunto em nome de que devemos abandonar nossos camponeses.
 
Nicolas Sarkozy


O país também já ameaçou várias vezes usar seu direito de veto para impedir uma nova proposta da Europa nas negociações da OMC. "O presidente Jacques Chirac tem razão ao considerar o veto", afirmou Sarkozy, dando a entender que poderá fazer o mesmo caso assuma o comando do país.

Durante seu discurso de cerca de uma hora sobre sua eventual política internacional, Sarkozy mencionou o Brasil duas vezes.

No primeiro caso, ele falou sobre a necessidade do país, como também da China, Índia e Rússia assumirem suas responsabilidades em relação ao problema do aquecimento global.

"Eles não podem querer se sentar à mesa dos grandes e, ao mesmo tempo, falarem que não querem discutir a redução de emissões de CO2", afirmou.

Sarkozy também defendeu a entrada do Brasil como membro permanente do Conselho de Segurança da ONU e disse que devem ser fixados critérios para a escolha de novos membros permanentes.

"(Um critério deve ser) a população do país, sem dúvida, mas também a contribuição financeira que ele dará à ONU e, sobretudo, sua participação nas operações de paz da organização", disse.

Sarkozy, do partido de direita UMP, tem caído nas últimas pesquisas de intenção de voto. Ele e a candidata socialista, Ségolène Royal, estariam agora praticamente empatados.


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