Grã-Bretanha quer fechar o cerco a imigrantes ilegais

da BBC, em Londres

O governo britânico está planejando uma grande ofensiva contra imigrantes ilegais, para evitar, nas palavras do ministro do Interior, que "estrangeiros" cheguem ao país para "roubar" os benefícios sociais e os serviços públicos destinados aos cidadãos britânicos.

Em entrevista à BBC, o ministro John Reid disse que quer tornar a vida de imigrantes ilegais "desconfortável e restrita".

Segundo ele, as medidas devem impedir que imigrantes ilegais consigam habitação, atendimento de saúde e trabalho.

"É injusto que estrangeiros venham a este país ilegitimamente e roubem nossos benefícios e roubem nossos serviços, como o sistema público de saúde", disse Reid, em entrevista à BBC.

"Ano após ano, nós vamos tornar cada vez mais difícil para eles fazer isso", afirmou.

Entre as medidas propostas por Reid estão a elaboração de uma lista de imigrantes que não podem ter acesso a serviços públicos, a formação de grupos especiais de combate a empregadores de ilegais, carteiras de identidade obrigatória para estrangeiros, altas multas para donos de imóveis alugados para ilegais e a cobrança de imigrantes pelo acesso a serviços de saúde pública.

O pacote de medidas, que prevê ainda um plano piloto para o envio de mensagens de texto aos celulares de imigrantes com visto expirado, foi duramente criticado por organizações que trabalham com imigrantes.

Ilegais

As medidas pleiteadas pelo governo britânico vêm no momento em que a organização Conselho Conjunto para o Bem-Estar dos Imigrantes (JCWI, sigla em inglês) pede a regularização de centenas de milhares de estrangeiros no país.

Com até 500 mil deles trabalhando irregularmente, alega a organização, legalizar seu trabalho seria uma maneira de elevar em até 3 bilhões de libras (cerca de R$ 12 bilhões) as receitas do Tesouro britânico.

Dentro deste universo, o número de brasileiros é uma incógnita. Dos 7,3 milhões de habitantes oficiais de Londres - sendo 2,3 milhões estrangeiros - apenas 25 mil são brasileiros.

Mas outras estatísticas apontam que este número é de cerca de 120 mil, entre legais e ilegais.

"Barrar o acesso de até meio milhão de imigrantes irregulares aos direitos e serviços não é uma resposta realista nem humana para a imigração neste país", disse o diretor do JCWI, Rabib Rahman.

Outra organização a criticar a proposta do governo foi a Caritas Europa, organização católica que dá assistência a imigrantes no mundo.

Falando em nome da organização, o porta-voz Francis Davis disse que a resposta do governo britânico à imigração é "moralmente vazia".

"Não podemos convidar as pessoas à Grã-Bretanha e depois simplesmente dar as costas", ele afirmou.

Trabalho ilegal

Reid disse que a maioria das pessoas que chegam à Grã-Bretanha deseja respeitar plenamente as leis de imigração. Mas aqueles que não respeitam não deveriam gozar dos mesmos benefícios e privilégios, sustentou o ministro.

"Este é o momento de combater o mal pela raiz: a exploração. Temos que combater não somente o tráfico de imigrantes ilegais, mas também os trabalhos ilegais na ponta da cadeia", ele afirmou.

Um relatório recente elaborado a pedido da Igreja católica mostrou que 40% dos imigrantes latino-americanos estão em situação de trabalho ilegal, porque ganham menos de cinco libras por hora - o salário mínimo britânico - sendo que as mulheres recebem em média uma libra a menos.

Para o ministro, o trabalho ilegal e mal-pago "prejudica o valor do salário mínimo".

"O novo enfoque vai tornar a vida neste país cada vez mais desconfortável e restrita para aqueles que vierem para cá ilegalmente", afirmou Reid.

Em outro programa da BBC, o ministro Reid disse que o governo está hoje rejeitando mais pedidos de asilo do que no passado.

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