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Guerra da Rússia-Ucrânia

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Iris-T: o 'escudo' alemão dado à Ucrânia que está detonando mísseis russos

O sistema de defesa antiaéreo Iris-T, que a Alemanha cedeu à Ucrânia - DW
O sistema de defesa antiaéreo Iris-T, que a Alemanha cedeu à Ucrânia Imagem: DW

Frank Hofmann

16/05/2023 04h00Atualizada em 16/05/2023 13h11

A Aeronáutica da Ucrânia divulgou no início de maio que os sistemas de defesa aérea alemães Iris-T SLM já teriam derrubado 60 mísseis em 60 ataques russos - 100% de sucesso, portanto, apesar de não ser possível verificar os dados de maneira independente. Nesta terça, diante de mais ataques russos, os ucranianos voltaram a falar que o sistema de defesa funcionou.

Um soldado ucraniano descreveu no vídeo da Aeronáutica, diante de um Iris-T SLM, como ele e seus camaradas são capazes de detectar no radar a aproximação de mísseis ou drones russos e "partilhar essas informações com complexos de mísseis antiaéreos, por exemplo". A coisa toda é "bastante impressionante", comentou.

Ao todo, a Alemanha comprometeu-se a fornecer quatro Iris-T SLM à Ucrânia. Segundo a "Lista dos serviços de apoio militar" do Ministério da Defesa de Berlim, a segunda entrega foi em abril.

Conheça os Iris-T SLM

É um sistema antiaéreo com objetivo de derrubar mísseis rivais. É considerado o equipamento mais moderno de produção alemã neste quesito.

Seu custo é de US$ 150 milhões (R$ 740 milhões), segundo André Frank, do Instituto de Economia Mundial (IFW) de Kiel, integrante de um grupo de pesquisa que calcula periodicamente o volume financeiro do apoio internacional à Ucrânia.

A fabricante é a Diehl Defence, sediada em Überlingen am Bodensee, no sul do país.

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Imagem: DW

Cada sistema é composto por três unidades: um lançador de mísseis, um radar e um radar de controle de tiro, com logística e suporte integrados.

Os mísseis usam luz infravermelha para identificar alvos. Eles têm um alcance de 40 quilômetros e uma altitude máxima de 20 quilômetros e vêm equipados com um radar com alcance de 250 quilômetros.

Os mísseis podem ser direcionados em até 360 graus ao redor do lançador.

O sistema é mais eficaz como parte de uma "defesa aérea em camadas", em combinação, por exemplo, com o sistema de defesa antimísseis Patriot PAC-3, fabricado nos EUA, que tem uma altitude máxima maior.

Ela também produz os mísseis teleguiados Iris-T que integram o sistema e custam quase US$ 617 mil, estima o Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo (Sipri, na sigla em inglês).

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O sistema de defesa antiaéreo Iris-T, que a Alemanha cedeu à Ucrânia
Imagem: DW

"Contraofensiva ucraniana não será como no cinema"

Nem Kiev nem a coalizão dos 54 países do grupo de contato para a Ucrânia, liderado pelos Estados Unidos, revelam exatamente quantas armas e quanta munição são exportadas para o país sob invasão russa.

Como declarou o ministro britânico da Defesa Ben Wallace, o Reino Unido já entregou mísseis Storm Shadow, fabricados por um consórcio franco-britânico. Trata-se de um marco nessa guerra: com alcance de 250 quilômetros, lançados por aviões eles permitirão à Aeronáutica ucraniana atacar eixos de abastecimento russos na península da Crimeia.

A chegada paulatina dos armamentos provenientes das nações apoiadoras é um dos motivos por que vem sendo adiada a tão esperada contraofensiva de Kiev, explica o especialista em assuntos ucranianos e russos Nico Lange.

Chuvas atipicamente extensas têm igualmente prolongado a assim chamada "estação da lama" no sul e leste da Ucrânia, tornando impraticável o tráfego de tanques e outros veículos blindados, acrescenta o ex-soldado e meteorologista americano David Helms.

Lange alerta que a contraofensiva longamente antecipada não transcorrerá como nos filmes, pois "não é um ataque-relâmpago da parte ucraniana". Ele conta, antes, com um "procedimento cauteloso, sistemático, lento": "Um lado vai evoluir de acordo com as reações do outro, numa série de operações passo a passo".

Isso provavelmente "vai durar muito", como foi o caso na metrópole de Kherson, na parte sudoeste do rio Dnipro, cuja libertação do invasor russo demorou de agosto a novembro de 2022, avalia Lange. Os países aliados terão que garantir "apoio sistemático de longo prazo", pois a Ucrânia necessitará um fluxo ininterrupto de munição.

Corrida contra o tempo

Em meados de abril, o Conselho da União Europeia liberou 1 bilhão de euros (R$ 6 bilhões) para compra de munição, tirados da European Peace Facility (EPF), o orçamento do bloco para política externa de segurança.

Para Nico Lange, contudo, a política europeia para a Ucrânia é lenta demais. Os países da UE tiveram a chance de "estar em pé de igualdade com os EUA nessa questão, coisa que afirmaram por muitos anos, mas nesse caso deixaram a chance escapar".

O especialista tem escutado apreensões por parte da política de que o respaldo americano à Ucrânia possa diminuir após as eleições presidenciais de novembro de 2024, sobretudo se Donald Trump retornar à Casa Branca - algo com que o invasor Vladimir Putin também estará contando.

Contudo "se preocupar não basta", enfatiza Lange: é preciso a UE acelerar a produção armamentista interna, sobretudo de munições, pois não se deve contar com um fim rápido dessa guerra: mais um motivo por que os militares de Kiev estão ansiosos de poder dar notícias de sucesso.

No início de maio, o ministro da Defesa ucraniano, Oleksii Reznikov, anunciou o abate de um míssil hipersônico russo Kh-47M2 Kinzhal. A Alemanha, Holanda e EUA haviam fornecido, cada um, um sistema de defesa Patriot à Ucrânia. No entanto, não se revelou qual dos três conseguiu derrubar a arma russa até então considerada praticamente imbatível pela defesa ocidental.