Greve de 48 horas no metrô de Londres ameaça causar colapso na cidade

Viviana García

Em Londres

Os funcionários do metrô de Londres iniciaram na noite desta segunda-feira (28) uma greve de 48 horas em protesto contra o fechamento das bilheterias, que pode causar um colapso na capital onde 3 milhões de pessoas usam diariamente esse meio de transporte.

A linha de metrô Central, que liga o centro de Londres ao parque olímpico de Stratford (leste) e é uma das mais movimentadas, estará inativa no centro da cidade, igual à "Waterloo & City Line", a menor, que transporta passageiros do Big Ben até a City (centro financeiro).

As outras linhas que cruzam a capital britânica pelo subsolo --como a Bakerloo, a Victoria, a Norte e a Picadilly-- oferecerão um serviço reduzido, com frequências de entre 6 e 12 minutos e sem que o metrô pare em todas as estações.

Até o último momento tentou-se anular a greve que começou nesta noite às 20h GMT, mas fracassaram as negociações de urgência realizadas nesta segunda-feira entre o Sindicato Ferroviário, Marítimo e do Transporte (RMT, na sigla em inglês) e a companhia London Underground (LU).

Trata-se de uma das greves mais conturbadas na capital britânica, que tem 8 milhões de habitantes. Além disso, ela coincidirá com a partida de volta da semifinal da Liga dos Campeões entre Chelsea e Atlético de Madrid, na quarta-feira, no estádio Stamford Bridge.

Os serviços mínimos garantem somente cinco trens por hora na estação de metrô mais próxima ao estádio do Chelsea, quantidade insuficiente para garantir o transporte dos cerca de 42 mil torcedores que irão ao jogo.

A greve foi convocada pelo sindicato RMT em resposta no fechamento planejado por parte da LU de 260 escritórios de venda de bilhetes e a supressão de 950 postos de trabalho em 2015.

O RMT convocou uma segunda greve de 48 horas para a semana que vem.

O secretário-geral interino do RMT, Mick Cash, insistiu que é "essencial" manter a promessa que se lhes fez de revisar os cortes e os fechamentos nas estações, mas que a LU não quis "ceder nem uma polegada" em sua determinação de fechar as bilheterias.

"Nada do que propõem é para 'modernizar' o serviço. Os planos de fechar as bilheterias e eliminar quase mil empregos críticos para a segurança respondem unicamente pelos cortes impostos em nível central pelo governo de David Cameron e executados pelo (prefeito de Londres) Boris Johnson", disse Cash.

O Serviço de Consultoria, Conciliação e Arbitragem Acas se pôs à disposição das partes para voltar em qualquer momento às negociações.

No entanto, a LU insiste em que apenas 3% dos bilhetes de trem são vendidos nos guichês, já que quase todos os usuários utilizam o cartão eletrônico "Oyster", que carregam nas máquinas das estações ou automaticamente com seu cartão de crédito.

Johnson, por sua vez, disse que a greve "não faz sentido" e pediu hoje ao sindicato que a cancele, enquanto há poucos dias o primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron, chegou a classificá-la de "injustificada e inaceitável".

O metrô de Londres atende mais de 3 milhões de passageiros diariamente em suas 275 estações e seus 408 quilômetros de vias, o que o transforma no terceiro maior do mundo, depois dos de Seul e de Xangai (China).

Administrado pela empresa pública Transport for London (TfL) embora com o serviço de manutenção privatizado, o metrô é um dos mais caros do mundo, já que um bilhete simples de zona 1 (o centro de uma cidade que está dividida em seis zonas) custa 4,70 libras (R$ 17,60).

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