Rajoy faz ações para buscar reeleição, e rei retoma consultas com partidos

Antonia Méndez Ardila

Madri, 27 jan (EFE).- O presidente interino do governo da Espanha e líder do Partido Popular (PP), Mariano Rajoy, fez as primeiras ações de aproximação com o histórico rival Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) para conseguir sua reeleição como chefe de Governo, enquanto o rei Felipe VI iniciou nesta quarta-feira a segunda rodada de contatos políticos com os partidos mais votados nas últimas eleições parlamentares para propor um candidato ao posto.

Rajoy rejeitou na semana passada a oferta do monarca e chefe de Estado para que apresentasse sua candidatura como cabeça da chapa mais votada, o que provocou esta segunda rodada de consultas, algo inédito desde a restauração da democracia no país, há quase 40 anos.

O atual governante argumentou que, com 123 cadeiras do Congresso dos Deputados, não contava com apoio suficiente para conseguir a posse, embora deixasse a porta aberta para outra ocasião.

Hoje, o presidente interino insistiu em sua proposta de formar um governo com PP, PSOE e o liberal Ciudadanos para dar estabilidade ao país. Para isso, ofereceu o apoio de seu partido aos socialistas nas regiões autônomas e prefeituras em que governam em coligação com o Podemos, novo partido de esquerda que tem a terceira maior bancada no Congresso e havia proposto ao PSOE um pacto para formar um governo progressista.

O líder do PSOE, Pedro Sánchez, respondeu um "não contundente" à proposta do PP, mas se mostrou disposto a se reunir com Mariano Rajoy. Ele também ressaltou que "dialogar é também saber ouvir coisas que não se gosta", em referência às críticas que fez à forma como Rajoy lidou com casos de corrupção no PP.

Até agora, Sánchez se mostra inclinado a chegar a um acordo com o o Podemos, partido do qual é mais próximo ideologicamente e que se propôs a apoiá-lo como presidente em troca de uma presença destacada no hipotético governo.

No entanto, a postura definitiva do PSOE será debatida no próximo sábado no Comitê Federal, principal órgão do partido entre congressos, no qual os líderes regionais terão um papel destacado no debate.

Também hoje, a porta-voz de Podemos no Congresso, Carolina Bescansa, afirmou que o PSOE tem que decidir de que lado está: se "com as forças da mudança ou com as forças do bunker", em referência ao PP.

Já o Ciudadanos, partido mais próximo politicamente do PP, questiona se Mariano Rajoy pode embandeirar a luta contra a corrupção, uma de suas prioridades políticas, "quando não soube controlar seu partido", envolvido em vários casos de corrupção, sendo o último conhecido ontem em Valência, um de seus tradicionais redutos.

Nestas circunstâncias, Felipe VI começou hoje a nova rodada de contatos com o mesmo sistema da primeira, começando pelos partidos de menor representação para terminar na próxima terça-feira com o socialista Pedro Sánchez, líder da oposição, e finalmente com Mariano Rajoy.

Os acordos entre os principais partidos são imprescindíveis para a posse do novo presidente do governo, devido à distribuição de cadeiras do Congresso após as eleições gerais de 20 de dezembro do ano passado.

O novo Congresso conta com quatro grandes bancadas: PP, com 123 cadeiras, PSOE, com 90, Podemos, com 69, e Ciudadanos, com 40. A maioria parlamentar necessária para a formação do governo é de 176 deputados.

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