ONU eleva para 880 o número de mortos no Mediterrâneo na última semana

Genebra, 31 mai (EFE).- O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) elevou nesta terça-feira para 880 o número de mortos nos naufrágios ocorridos na última semana no Mar Mediterrâneo.

"Até o momento, 2016 está sendo um ano particularmente fatal", afirmou o porta-voz do Acnur, William Splinder, sobre as viagens dos imigrantes que tentam chegar à Europa cruzando o Mediterrâneo.

De acordo com o órgão, 2.510 pessoas morreram tentando chegar ao território europeu pelo mar partindo da Líbia ou da Turquia em embarcações precárias desde o início do ano, número superior aos 1.855 mortos no mesmo período do ano passado.

Desde janeiro, 204 mil pessoas chegaram de forma irregular à Europa pelo Mediterrâneo. Dessa forma, o Acnur calculou que uma de cada 81 pessoas que tentam a travessia acabam morrendo, dado que confirma a importância das operações de resgate.

"A Guarda Costeira da Itália está fazendo um trabalho formidável, e só na última semana resgatou 14 mil pessoas, com o apoio de outros países europeus", comentou o porta-voz do órgão.

Os números confirmam que a rota mais utilizada é entre Turquia e Grécia. Porém, o caminho que conecta o norte da África à Itália é o mais perigoso, já que é onde ocorreram 2.119 mortes.

"Estamos trabalhando para entender melhor as razões e as dinâmicas que estão por trás desse movimento, que se caracterizam nessa última rota pelo sobrepeso das embarcações, que podem zarpar com mais de 600 pessoas", explicou Splinder.

"Em alguns casos, é uma corrida contra o tempo. O barco pede auxílio, e as equipes de resgate se apressam para chegar antes delas afundarem", completou o porta-voz do Acnur.

Alguns dos depoimentos colhidos entre os sobreviventes indicam que os traficantes de pessoas estão tentando multiplicar seus lucros antes do início do Ramadã.

"Reprimir os traficantes é essencial, mas isso não é suficiente por si só se não oferecermos alguma alternativa às pessoas. Se eles estão dispostos a viajar nessas condições é simplesmente porque não têm mais escolhas", disse Splinder.

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