Desemprego, déficit e Catalunha: os desafios do futuro governo da Espanha

Celia Sierra.

Madri, 24 jun (EFE).- O futuro governo da Espanha deverá fazer frente a problemas de longo curso: reduzir a elevada taxa de desemprego - situada em 21% -, cumprir com a meta de déficit comprometida com a União Europeia (UE) e encarar o desafio independentista impulsionado pelo parlamento regional da Catalunha.

Apesar destes obstáculos, a equipe à frente do novo Executivo encontrará uma economia em fase de expansão, mas deverá enfrentar uma desaceleração prevista para este ano.

A UE deu um ano de prazo à Espanha para cumprir com a meta de déficit e situá-lo abaixo de 3% do PIB, por isso o próximo governo será o responsável por aplicar as medidas fiscais para regulá-lo.

Esta margem dada por Bruxelas tem como condição que nos próximos dois anos se realize um ajuste de 8,1 bilhões de euros (0,75% do PIB), para reduzir o déficit para 3,7% do PIB em 2016, e para 2,5% em 2017.

A próxima equipe de governo deverá decidir se vai atuar pelo lado da despesa, reduzindo-a, das receitas, com mais impostos, ou se não faz nenhuma dessas duas coisas e confia a correção do déficit ao efeito da recuperação econômica e da redução das taxas de juros.

Enquanto o partido governante PP, de centro-direita, mantém sua promessa de reduzir os impostos, os socialistas do PSOE apostam em um ambicioso Plano de Emergência Social para os cidadãos em situação de vulnerabilidade, que inclui um aumento do salário mínimo e uma renda mínima vital de 426 euros.

A coalizão Unidos Podemos, de esquerda e contrária às medidas de austeridade, mantém sua proposta de aumentar o gasto público e os impostos para os mais ricos, enquanto os liberais do Ciudadanos propõem uma redução tributária para a classe média.

O governo que for escolhido nas urnas deverá combinar suas promessas eleitorais com o controle do déficit e a desaceleração econômica, que vai se impor ligeiramente este ano à medida que percam força os elementos que vêm impulsionando a economia: o barateamento do petróleo, a desvalorização do euro e a política monetária expansiva do Banco Central Europeu (BCE).

Outro grande desafio do novo governo será reduzir a taxa de desemprego, situada em 21%. Apesar de a Espanha gerar emprego mais rápido que seus sócios europeus, acima de 3%, os postos criados são piores, a maioria de caráter temporário e no setor de serviços.

Todos os partidos políticos apostam na geração de emprego: o PP insiste que a renovação de seu mandato é necessária para que seja consumada a recuperação econômica e que se alcance em 2020 o número de 20 milhões de pessoas empregadas, frente aos 18 milhões de agora.

Já a coalizão Unidos Podemos se compromete a reduzir o desemprego em 2019 para 11% e a alcançar um ano antes os 20 milhões de empregados prometidos pelo PP, enquanto o socialista PSOE defende um plano de choque contra a precariedade laboral e o aumento do salário mínimo.

O Ciudadanos, por sua vez, propõe a criação de um contrato único e indefinido, acompanhado por medidas de fomento, e promete a criação de 2,5 milhões de empregos.

Além dos desafios no campo econômico, o novo governo terá que lidar com as reivindicações de soberania que vêm sendo impulsionadas desde o ano passado por um grupo de partidos no parlamento regional da Catalunha, com o objetivo de declarar a independência da região.

Todos os partidos defendem a unidade da Espanha, menos o Unidos Podemos, que contempla a realização de um referendo vinculativo sobre a independência da Catalunha, um dos pontos mais controvertidos de seu programa.

PP, Ciudadanos e PSOE rejeitam totalmente esta proposta e asseguram que a mesma levaria ao esfacelamento da Espanha, com outras regiões, como o País Basco, reivindicando independência.

Apesar de os socialistas manterem sua rejeição a um referendo sobre a independência da Catalunha, incorporaram a seu programa eleitoral a figura de "um pacto político" com a região, que reconheça sua "singularidade" e melhore seu autogoverno.

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