Iglesias, o "emergente" com mais chances de chegar ao governo

Celia Sierra.

Madri, 24 jun (EFE).- Após consumar seu anunciado "ataque" à tradicional política da Espanha e se transformar em líder da terceira maior legenda do país, Pablo Iglesias chega às urnas respaldado por uma coalizão ampliada, a Unidos Podemos, de esquerda, que se vê com possibilidades de superar o socialista PSOE, atual maior partido de oposição, e ser a principal alternativa ao governista PP, de centro-direita.

Esta possibilidade, que é apontada por todas as pesquisas, consolidaria a ascenção do emergente Podemos, um partido formado pelos cidadãos sem vínculo com a política, que em 2014 conseguiu cinco deputados ao Parlamento Europeu com o compromisso de regenerar a democracia e acabar com a "casta política".

O próprio Iglesias rompeu com os moldes do político espanhol: tirou o piercing na sobrancelha, mas manteve o rabo de cavalo, calça jeans e camisa, e raramente cai na tentação de usar gravata, e além disso compra suas roupas em uma rede de hipermercados.

Hábil orador e dominador da arte de falar na TV, Iglesias, natural de Madri e de 37 anos, se apresentou ao grande público em 2013 como comentarista político em programas de televisão, um cenário no qual lançou um discurso mordaz e reivindicativo que se encaixou com o desencanto social gerado pela crise econômica e as políticas de austeridade.

Apesar deste vínculo, ele se sente maltratado pela imprensa e, algumas vezes, fez críticas aos profissionais da informação, inclusive pessoais, pelas quais teve que pedir desculpas.

Procedente de uma família de esquerda, muito envolvida em política, Iglesias cursou Direito em uma universidade pública de Madri, onde depois conseguiu uma vaga como professor universitário de ciência política, após fazer doutorado com uma tese sobre desobediência civil.

Embora sempre tenha fugido da dicotomia esquerda-direita, em sua juventude foi militante do Partido Comunista, participou ativamente de movimentos antiglobalização e do 15M, um movimento popular que, em 2011, tomou as ruas e as praças da Espanha para reivindicar um modo diferente de fazer política e que foi a mola propulsora do Podemos.

Em sua primeiras eleições, Iglesias costumava utilizar a frase de Karl Marx "o céu não se toma por consenso, mas por assalto", para falar da ascensão do Podemos.

O líder da legenda, que reconhece entre seus erros um excesso de arrogância, mostrou diante das câmeras momentos descontraídos como a vez que presenteou o rei Felipe VI - em uma visita ao Parlamento Europeu - com as primeiras quatro temporadas de "Game of Thrones", com o objetivo de mostrar ao monarca algumas coisas fundamentais "para entender a crise política na Espanha".

Iglesias passou de um perfil antissistema e mais radical com o qual irrompeu na cena política com uma imagem mais "presidenciável". EFE

csr/ff/id

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos