Merkel afirma que os 27 países não mudarão os tratados da União Europeia

Bruxelas, 29 jun (EFE).- A chanceler da Alemanha, Angela Merkel, afirmou nesta quarta-feira que os 27 chefes de Estado e de governo que formarão a União Europeia assim que o Reino Unido deixar o bloco comunitário não consideram necessário uma mudança nos tratados, mas que é preciso trabalhar melhor com os instrumentos disponíveis para conseguir atingir seus objetivos.

Merkel disse que todos os líderes concordam que seria um "erro" abrir agora o debate sobre mudanças nos tratados e negou que esta postura tenha a ver com o "medo" de referendos similares ao britânico em outros países, mas com o fato de que "existe uma base jurídica suficiente" para acomodar as necessidades e inquietações específicas dos diferentes países-membros.

"Em nossa discussão, ficou muito clara a tendência de não realizar mudanças nos tratados", disse Merkel após a primeira reunião dos países-membros sem o Reino Unido, convocada para efetuar uma primeira reflexão sobre o futuro do projeto da UE após o "Brexit".

"Podemos trabalhar com os tratados e com nossa agenda estratégica", comentou a chanceler alemã, que também explicou que isso significa ser "coerente, simplificar as coisas, reduzir ao máximo a burocracia e se concentrar nos objetivos" já estabelecidos, como a geração de emprego, o crescimento econômico e o aumento da competitividade.

Nesse sentido, Merkel também descartou uma revisão ou uma mudança nas legislações fiscais e bancárias, como o Pacto de Estabilidade e Crescimento (PEC) de consolidação das contas públicas e a recapitalização e liquidação bancária, que fazem parte da União Bancária, porque são "suficientemente flexíveis para responder às especificidades de países individuais".

A chanceler alemã ressaltou que os líderes reiteraram que "não se trata de mais ou menos Europa como princípio, mas de conseguir melhor os resultados" e as metas estipuladas pela União Europeia na reflexão sobre o futuro do bloco sem o Reino Unido.

A chefe de governo da Alemanha admitiu que os cidadãos frequentemente "não sabem por que fazemos algo e com que objetivo" e considerou um "erro abrir agora um grande debate sobre mudanças" nos tratados.

"Não havia hoje ninguém que acreditava que era preciso uma convenção ou um debate amplo sobre um novo tratado", insistiu a chanceler, quem lembrou que o Tratado de Lisboa não tem nem uma década.

"(O Tratado) Oferece possibilidades muito boas e temos muitos instrumentos flexíveis. Existe a possibilidade de reforçar a cooperação, de avançar em diferentes velocidades, de invocar uma cláusula de solidariedade, como fez a França após os atentados terroristas, entre outros mecanismos", explicou Merkel.

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