Hillary Clinton, a Fênix que ronda a Casa Branca

Raquel Godos.

Filadélfia (EUA), 26 jul (EFE).- Tudo começou em 1972 com uma derrota premonitória: não seria fácil, mas também não iria se render. Uma jovem nascida em Chicago, de apenas 25 anos, foi fazer campanha no Texas pelo então candidato presidencial democrata George McGovern. Ela se chamava Hillary Rodham e começou perdendo.

Enquanto estudava Direito na Universidade de Yale, o compromisso com o serviço público já lhe atraía; portanto decidiu viajar ao meio oeste para ajudar no registro de eleitores no segundo maior estado do país, acompanhada de seu namorado, também estudante de leis. Ele se chamava Bill Clinton.

Começou perdendo naquela campanha, como perderia mais de 30 anos depois em 2008 perante um jovem e encantador senador Barack Obama após uma vida inteira de luta e progresso não isenta de escândalos, mas ninguém disse que seria fácil, e ela sabia desde o princípio.

Hoje Hillary Clinton superou mais um desses obstáculos, após cair há oito anos e voltar a se levantar, ao ser indicada como a primeira mulher candidata à presidência dos Estados Unidos por um dos dois grandes partidos e retornar assim como uma eterna ave Fênix.

Especialista em superar escândalos políticos e pessoais, Hillary, que nunca abriu mão de seu sobrenome de solteira, se especializou em exibir disciplina e resiliência, apertar os lábios e seguir adiante.

Durante este período de primárias, a sombra da derrota de 2008 pairou sobre sua cabeça, quando ganhou por uma margem estreitíssima contra Bernie Sanders em Iowa e foi derrotada de forma arrasadora pelo senador em New Hampshire, um cenário perigoso para o início eleitoral.

Mas, como sempre, se manteve firme e, apelando ao voto latino e ao afro-americano, onde também se fortaleceu ao brigar por essas minorias ao longo das décadas, recuperou terreno até finalmente conseguir os delegados necessários para a indicação no início de junho na Califórnia.

Como é de praxe em sua vida pública, não podia faltar a polêmica, e dessa vez o escândalo chegou por seu uso de um servidor privado de e-mail enquanto era secretária de Estado (2009-2013), embora finalmente, há apenas algumas semanas, a Justiça decidiu não indiciá-la.

Em sua época como primeira-dama, quando começou a ganhar especial relevância na esfera pública, Hillary já havia avisado que não ficaria restrita a caridade e visitas formais - literalmente advertiu que não se dedicaria a "fazer bolachas e servir chá".

Sua iniciativa para impulsionar uma reforma da saúde, recordada por seu rival nas primárias em seu discurso desta segunda-feira na Convenção Democrata, a situou como a primeira esposa presidencial que não se limitava a decorar as fotografias, mas daquela vez também perdeu o primeiro round.

No entanto, como uma de suas marcas, não retrocedeu em seu empenho, e quando ainda ocupava seu posto na Casa Branca, e seu marido finalizava seu mandato, se candidatou ao cargo de senadora por Nova York (2001-2008), e alcançou uma pequena vitória nessa matéria ao estender o acesso à saúde aos mais novos.

A agora já candidata à presidência dos EUA centrou sua carreira na defesa dos direitos das crianças e das mulheres de um ponto de vista mais executivo, o que lhe valeu o selo de confiança em seu trabalho pelas famílias do país.

Perguntada há alguns meses, em entrevista à Agência Efe, sobre o que a fazia seguir trabalhando após tantas décadas de esforços e dissabores, Hillary lançou mão do otimismo: "Acredito que sou a pessoa mais sortuda na Terra por poder estar aqui por eles e para eles. E isso é o que vou fazer".

Como Rocky, o boxeador do cinema com quem gosta de se comparar, a advogada de direitos civis, ex-primeira-dama de Arkansas, ex-primeira-dama, ex-senadora e ex-secretária de Estado voltou a subir ao ringue para brigar, e fez isso hoje com uma vitória precisamente na Filadélfia, o berço de Balboa.

O último assalto será em novembro contra Donald Trump.

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