"El Chapo", papa e Trump são protagonistas em ano intenso para o México

Raúl Cortés.

Cidade do México, 26 dez (EFE).- A captura do narcotraficante Joaquín "El Chapo" Guzmán e uma simbólica visita do papa Francisco abriram um 2016 intenso para o México, que terminou o ano imerso em pessimismo pelo ressurgimento da violência e da corrupção, pela instabilidade econômica e pela vitória de Donald Trump nos Estados Unidos.

Em 8 de janeiro, o presidente Enrique Peña Nieto anunciou a captura do traficante em sua terra natal, Sinaloa. Ela ocorreu em uma operação em Los Mochis tão bizarra quanto sua fuga da penitenciária de Almoloya de Juárez, em 11 de julho de 2015, por um túnel de 1,5 quilômetro.

Naquela ocasião caso, sua captura (já tinha fugido em 2001 em um carro de lavanderia do presídio de Puente Grande, estado ocidental de Jalisco) foi produto de uma operação militar em uma casa na qual não esperava ser encontrado.

Após tentar fugir de novo, desta vez caso pelo esgoto, ele foi detido por policiais municipais aos quais tentou subornar. A imagem de um dos criminosos mais procurados do planeta com uma regata suja, sentado na cama de um motel com o olhar perdido, diante do pôster de uma mulher seminua, deu a volta ao mundo.

Ainda seriam mais surpreendentes as revelações das horas posteriores: a revista americana Rolling Stones divulgou uma entrevista do ator americano Sean Penn com 'El Chapo' por mediação da atriz mexicana Kate del Castillo.

Ambos o tinham visitado meses antes em seu esconderijo para concretizar um projeto cinematográfico.

Guzmán foi levado a uma penitenciária em Ciudad Juárez, onde diz que morrerá em breve pelo suposto isolamento e maus-tratos ao quais é submetido enquanto prossegue o processo de extradição aos Estados Unidos.

Poucas semanas antes, em fevereiro, essa cidade do norte do México foi uma das escalas do papa Francisco na sua visita ao país, tão esperada e extensa como controversa.

Em frente ao muro construído para evitar a passagem de imigrantes de Ciudad Juárez aos EUA, Francisco oficiou um grande missa para pedir o fim desse drama humanitário.

O pontífice esteve também em Chiapas para homenagear o mundo indígena; em Morelia para se unir a milhares de jovens; em Ecatepec, um dos municípios mais pobres na faixa urbana que faz limite com a capital, e na Cidade do México, onde deu um sermão.

Já no avião papal, de volta a Roma, o papa acusou Donald Trump de "não ser cristão" quando o milionário ainda era pré-candidato do Partido Republicano à presidência dos Estados Unidos e um personagem que esteve no centro da agenda pública do México desde seus primeiros ataques ao país, em 2015.

Razões não faltam: Trump chamou mexicanos de "criminosos" e "estupradores", ameaçou deportar 11 milhões de imigrantes ilegais, prometeu proibir o envio de remessas e garantiu que obrigaria o México a pagar a construção de um muro na fronteira.

Apesar disso, em um gesto muito criticado, Peña Nieto o convidou à residência presidencial de Los Pinos em setembro.

Embora o governo tenha justificado o fato para manter comunicação com o então candidato à presidência de um país para o qual o México exporta mais de 80% de sua produção, o resultado foi o afundamento da popularidade de Peña Nieto, que já vinha em declínio há meses.

Em novembro, a aprovação presidencial se situou em 24%, a pior em 25 anos para um líder mexicano.

E isso não só pelos efeitos da visita de Trump, mas porque em setembro foram completados dois anos do desaparecimento de 43 estudantes de magistério de Ayotzinapa - caso ainda não solucionado - e pelo acúmulo de casos de corrupção em altas esferas de governo, incluindo as acusações de milionários desfalques por parte dos governadores de Veracruz e Sonora.

Além disso, o triunfo de Trump abalou a economia mexicana, que resiste apesar da desvalorização do peso frente ao dólar, do corte nas expectativas de crescimento e da proposta do futuro presidente dos Estados Unidos de revisar o Tratado de Livre-Comércio da América do Norte.

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