Exército sírio usou armas químicas em batalha por Aleppo, diz HRW

Nas Nações Unidas

  • Abed Kontar/Reuters

    13.fev.2017 - Membro da Defesa Civil carrega recipiente danificado que ativistas acreditam ter sido usado em um ataque químico no vilarejo de Ibleen, em Idlid, na Síria

    13.fev.2017 - Membro da Defesa Civil carrega recipiente danificado que ativistas acreditam ter sido usado em um ataque químico no vilarejo de Ibleen, em Idlid, na Síria

As forças do governo da Síria usaram repetidamente e de forma coordenada armas químicas durante o último mês da batalha para recuperar a cidade de Aleppo, denunciou nesta segunda-feira (13) a ONG Human Rights Watch (HRW).

De acordo com a HRW, entre 17 de novembro e 13 de dezembro de 2016, helicópteros do Exército sírio efetuaram pelo menos oito ataques com cloro sobre áreas residenciais controladas pela oposição.

A ONG assegurou que "o padrão" desses ataques "mostra que os mesmos foram coordenados com a estratégia militar global para recuperar Aleppo" e que não foram obra de elementos isolados do exército, por isso pediu ao Conselho de Segurança da ONU a imposição de sanções contra o regime do ditador sírio, Bashar al Assad.

"O Conselho de Segurança das Nações Unidas não deveria permitir que as autoridades sírias, ou qualquer outro grupo que usou armas químicas, fiquem livres de consequências", afirmou em comunicado o diretor adjunto de emergências da organização, Ole Solvang.

A HRW apresentou em entrevista coletiva na sede da ONU as conclusões de sua investigação, que assegura que esses oito ataques documentados deixaram pelo menos nove civis mortos, entre eles quatro crianças, e cerca de 200 feridos.

Segundo a ONG, os ataques com cloro foram feitos em áreas de Aleppo nas quais as forças governamentais buscavam avançar, começando pelo leste e seguindo rumo ao oeste, na medida em que as linhas da frente se movimentavam.

O relatório da HRW foi feito com base em entrevistas com testemunhas, análises de vídeos e fotografias e informações difundidas pelas redes sociais.

Embora reconheça a dificuldade de identificar com total precisão os químicos utilizados sem dispor de testes em laboratório, a HRW garante que tudo indica o uso de cloro por parte do exército sírio, algo do qual já tinha sido acusado em ocasiões anteriores.

A ONG incluiu em seu relatório oito casos que conseguiu confirmar, mas alega que o número total de ataques químicos em Aleppo poderia ser maior.

A HRW destacou que não há informações de que a Rússia, que apoiou com sua força aérea a campanha do regime sírio para retomar Aleppo, participou diretamente nos ataques químicos, mas assegura que se beneficiou dos mesmos para realizar seus avanços militares.

Uma investigação de especialistas da ONU e da Organização para a Proibição das Armas Químicas (OPAQ) determinou no ano passado que o governo sírio estava por trás de vários ataques com armas químicas registrados no país em 2014 e 2015.

Por causa disso, os países ocidentais buscaram durante os últimos meses impor sanções ao regime sírio, algo que até agora foi impedido pela Rússia, que conta com poder de veto no Conselho de Segurança das Nações Unidas.

A Rússia é o principal aliado internacional de Assad e considera que não há provas suficientes para punir o regime de Damasco, que em 2013 concordou em destruir seu arsenal químico e a não usar esse tipo de armamento após um acordo entre Washington e Moscou.

A zona leste de Aleppo era o grande reduto rebelde no norte da Síria e foi alvo de uma grande ofensiva por parte do regime e de seus aliados a partir de novembro.

A campanha foi concluída no final de dezembro, quando o exército sírio deu por reconquistada a cidade após um acordo que permitiu a retirada de muitos combatentes rebeldes e o estabelecimento de um cessar-fogo.
 

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