Esquerda francesa não se une e corre risco de ficar fora do 2º turno

Luis Miguel Pascual.

Paris, 25 fev (EFE).- Enquanto os demais setores políticos franceses conseguiram se unir para as eleições presidenciais de abril e maio, a esquerda não consegue encontrar um terreno comum para ter chance de superar o primeiro turno.

Em um panorama marcado pela quase certeza da presença da ultradireitista Marine le Pen no segundo turno, tanto a direita moderada como o centro evitam perder votos com candidaturas unificadas para tentar estar ao lado da líder da Frente Nacional (FN) no segundo turno do pleito presidencial.

Todas as pesquisas indicam que Le Pen está no segundo turno. Apesar da liderança e da moderação do discurso radical, a líder da extrema-direita segue despertando forte rejeição.

Para chegar ao segundo turno, a direita moderada organizou eleições primárias junto com a centro-direita e os democratas-cristãos. O processo deu ao vencedor, o ex-primeiro-ministro François Fillon, um amplo espectro de apoio.

Favorito durante muitas semanas para vencer as eleições, Fillon caiu nas pesquisas após ter sido acusado de empregar a esposa como assistente parlamentar. O nepotismo não é considerado ilegal na França, mas Penelope Fillon nunca teria exercido o cargo e é acusada de embolsar 800 mil euros dos cofres públicos sem trabalhar.

Os centristas se uniram em torno do ex-ministro de Economia Emmanuel Macron, que nesta semana ganhou o apoio de François Bayrou, três vezes candidato ao Palácio do Eliseu e considerado um dos principais nomes do grupo político no país.

Macron, que foi ministro do presidente François Hollande, do Partido Socialista, afirma que não é de direita nem de esquerda. Com o discurso independentista e a queda de Fillon, o ex-ministro é o mais cotado para enfrentar Le Pen. No entanto, as pesquisas indicam que seu eleitorado é o menos fiel entre todos os candidatos.

Apesar dos movimentos aglutinadores dos rivais, a esquerda francesa não consegue encontrar o caminho da união.

As primárias organizadas pelo Partido Socialista não atraíram dois candidatos com bastante peso eleitoral, o próprio Macron e o neocomunista Jean-Luc Mélenchon.

O vencedor das primárias foi o ex-ministro Benoît Hamon, um opositor de Hollande dentro do próprio partido, o que foi considerado com traição de alguns correligionários.

Para compensar a divisão, o candidato socialista anunciou que buscaria acordo com Mélenchon e com o ecologista Yannick Jadot, que abriu mão da candidatura pensando na união do grupo. No entanto, Jadot tem só 2% das intenções de voto e pouco acrescenta a Hamon.

Mais complexa parece uma união com Mélenchon, que tem mais de 10% dos votos, o que seria suficiente para colocar Hamon na briga pelo segundo turno. A diferença dos dois nas pesquisas é pequena, e Mélenchon não vê motivos para ceder ao Partido Socialista, do qual já fez parte e que acabou deixando por considerá-lo morno demais.

Desde então, Mélenchon adotou uma postura de extrema-esquerda que o fez conseguir 11% dos votos nas eleições presidenciais de cinco anos atrás, vencidas por Hollande.

Líder do movimento que batizou de "França insubmissa", Mélenchon reúne boa parte da esquerda descontente com o governo de Hollande, justamente a fatia do eleitorado que Hamon busca agradar.

Os dois farão uma última tentativa de aliança na próxima semana, mas todas as previsões são ruins.

Mélenchon considera que os franceses que se declaram "insubmissos" não podem apoiar o candidato do partido que governou por cinco anos, responsável pela reforma trabalhista que considera como catastrófica para o país. Hamon, porém, se opôs à lei. EFE

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