Toledo alega inocência e acusa Keiko e García de conspiração contra ele

Elías L. Benarroch.

Nova York, 28 mai (EFE).- O ex-presidente peruano Alejandro Toledo se declara inocente dos casos de corrupção abertos contra ele, e acusa seus rivais Keiko Fujimori e Alan García de conspirarem contra ele.

"Eu juro, juro, por tudo que tenho... A riqueza de minha esposa e da minha família, de Eliana e eu, é a minha credibilidade internacional como acadêmico", disse Toledo em uma longa entrevista à Agência Efe, pondo fim ao seu silêncio com a imprensa, e com a qual tenta lutar contra o que considera uma "perseguição política" de seus rivais.

Requisitado pela justiça do seu país e esperando que as autoridades americanas respondam a um pedido de extradição, Toledo assegura que nunca na sua vida fez "algo ilícito" que lhe permitisse "ter dinheiro" para "não precisar mais se preocupar" com seu futuro.

As suspeitas contra o ex-presidente, que governou o Peru entre 2001 e 2006, surgiram em fevereiro, depois do depoimento do ex-representante da construtora Odebrecht em Lima, Jorge Barata, que após ser detido revelou uma longa série de subornos a várias governos, no valor de US$ 29 milhões, US$ 20 milhões dos quais atribuiu a Toledo.

"Eu posso dizer, em nome da pessoa que mais amo, que está no céu e é minha mãe: Nunca! Que o Sr. Barata venha a Lima ou aos Estados Unidos e diga (...) como, quando, em que conta (fez os depósitos)...", se defendeu.

Após vários meses em Stanford, onde vive desde setembro do ano passado, Toledo, de 71 anos, visitou esta semana Nova York para dar uma conferência em um foro paralelo a outro das Nações Unidas.

Perguntado pela Efe por que Barata atribuiria a ele essa acusação, Toledo disse que este se tornou "delator" buscando evitar uma pena maior de prisão.

Toledo supostamente recebeu o dinheiro pela licitação dos trechos 2 e 3 da rodovia interoceânica sul, e reconhece que o "projeto" é do seu governo, acrescentando que por causa de obstáculos burocráticos regionais e nacionais apenas conseguiu inaugurar "uma pequena ponte simbólica entre Asís e Inambari".

A construção ficou a cargo do presidente seguinte, Alan García, dirigente do partido aprista e em cujo governo o projeto saltou de um custo inicial de US$ 850 milhões para mais de US$ 4 bilhões, segundo Toledo.

Por isso, García é agora epicentro, junto com a líder da Força Popular, Keiko Fujimori, por suas acusações de conspiração.

"O Sr. Alan García sempre teve um enorme controle do poder judiciário", argumentou, ao que soma uma aliança com os fujimoristas, que têm maioria no Congresso.

"Ela me odeia", disse Toledo sobre Keiko, porque "prendemos seu papai "(Alberto Fujimori) em 2000 e depois "evitamos que fosse presidente" nas eleições de 2011 e 2016, ao ter apoiado no segundo turno seus rivais Ollanta Humala e Pablo Kuczynski.

"Hoje em dia sou um perseguido político e querem desaparecer comigo para que não impeça a próxima eleição de Keiko", declarou o ex-presidente peruano.

De seu ex-primeiro ministro e agora presidente, Kuczynski, Toledo advertiu que ele está "encurralado" pela dirigente da Força Popular e que o país é governado "através da chantagem" por quem "tem maioria no Congresso (Força Popular)".

"Hoje em dia, o Peru corre o risco de que se continuarem pressionando-o, e o presidente não reagir, vai ficar muito ruim na história. A democracia vai se debilitar e tudo o que fizemos - os feridos e os mortos - pode acabar sendo em vão, e a ditadura do fujimorismo pode retornar", disse Toledo.

Voltando ao ponto de que Barata revele "onde, como, e quando" lhe deu o dinheiro, adiantou na entrevista a sua intenção de processá-lo e pedir US$ 200 milhões, valor que se ganhar - afirmou - distribuirá entre projetos educacionais para zonas rurais.

"O Sr. Barata vai ter que pagar muito caro (...) Que para reduzir os seus anos de pena tenha dito que entregou ao presidente Toledo US$ 20 milhões... Não permito isso! E quero ser enfático em dizer: Nunca na minha vida (aconteceu isso)!", reiterou notoriamente indignado.

Relacionada com o caso Odebrecht, Toledo tem outra causa aberta contra ele por suposta lavagem de dinheiro em uma aquisição imobiliária através da firma Ecoteva, uma investigação mais antiga na qual aparece também o seu amigo íntimo e empresário peruano-israelense Yosef Maiman.

"O Sr. Maiman foi ao Congresso da República, à Promotoria da nação, ao juiz... E lhes disse que os investimentos que fez na compra de uma casa e de um escritório é seu dinheiro. Consta nos documentos oficiais da Promotoria, do juiz e do Congresso", defendeu o líder do Peru Possível.

E argumenta que para ele, Maimán só fez dois "empréstimos", um de US$ 300 mil para liquidar sua hipoteca da casa de Lima e outro de US$ 275 mil para "a outra casa pequena (que temos) no norte", para assim deixar de pagar juros da ordem de 11%.

Acompanhado na entrevista por sua esposa Eliane, Toledo apresentou dois habeas corpus que a justiça peruana rechaçou, mas nega categoricamente ser um "fugitivo".

"Soube da notícia que o juiz Hamilton Castro emitiu uma ordem de prisão preventiva estando eu em Stanford, e pelos jornais (...) Eu não fugi do meu país. Estava aqui (nos EUA) trabalhando", explicou.

Mas, por enquanto, Toledo não tem intenção de retornar ao seu país para enfrentar a justiça.

"Não querem me julgar, querem me prender! (..) Você quer que eu retorne para ir para a prisão sem ser escutado nem notificado? Onde está o devido processo? (...) Que eu retorne para ir para a prisão (...), para que comece um julgamento sobre o que disse Barata? Você quer que eu fique 30 anos na prisão?", perguntou abertamente Toledo.

E mostra a sua disposição a "colaborar com a justiça", somente se for designado um "juiz natural (do Supremo)" - "não de primeira instância que se presta a muitas coisas (pressões políticas)" - para que fique assuma o caso, bem como lhe concedam "liberdade para entrar e sair" enquanto não houver uma condenação.

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