Irã realiza manobras militares na fronteira com o Curdistão iraquiano

Teerã, 24 set (EFE).- A Guarda Revolucionária do Irã começou a realizar neste domingo manobras militares no noroeste do país, perto da fronteira com o Curdistão iraquiano, às vésperas de um referendo de independência da região que desagrada a República Islâmica.

Os exercícios estão ocorrendo nas montanhas de Oshnavieh, de acordo com o porta-voz da Guarda Revolucionária do Irã, Habib Shahsavari, em um comunicado divulgado no site do órgão.

Shasavari disse que a mensagem principal para os "inimigos" é que os "guerreiros e homens valentes defendem com força as fronteiras do Irã e não permitem nenhuma agressão".

Estão presentes na manobra o vice-comandante da Guarda Revolucionária do Irã, general de brigada Hosein Salame, e o comandante das forças terrestres do grupo de elite, Mohamad Pakpur.

Pakpur afirmou que foram realizadas com sucesso operações com aviões não tripulados, blindados, mísseis e artilharia. O objetivo é conseguir uma maior coordenação entre as diferentes unidades e praticar táticas de guerra em um espaço real, disse o comandante.

As manobras são parte das atividades anuais da Guarda Revolucionária, organizadas por causa do aniversário do início da guerra entre o Iraque e o Irã entre 1980 e 1988.

No entanto, neste ano, o exercício tem a particularidade de ocorrer na região de fronteira e de coincidir com a convocação do referendo de independência do Curdistão, previsto para amanhã.

As tropas iranianas enfrentam com frequência na região grupos militares curdos com base no Iraque.

O Irã se opõe ao referendo de independência do Curdistão e disse que fechará as fronteiras comuns caso a região se separe do Iraque.

O presidente do Irã, Hassan Rohani, disse nesta semana na Assembleia-Geral da ONU que qualquer mudança nas fronteiras dos países do Oriente Médio é "muito perigosa".

O referendo do Curdistão também sofre a oposição do governo central do Iraque e da maioria da comunidade internacional, que pediu, sem sucesso, que a consulta popular fosse adiada.

Outro país vizinho que critica a medida é a Turquia, que classificou que o referendo é uma "ameaça à segurança nacional" e anunciou que pode intervir militarmente no Curdistão.

Irã e Turquia têm importantes interesses econômicos na região do Curdistão iraquiano. Cidadãos curdos também vivem nos dois países, e há o temor de contágio dessa ânsia independentista.

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