Servidores públicos da França ampliam protestos contra reformas de Macron

Paris, 10 out (EFE).- Os servidores públicos, que representam cerca de 20% dos trabalhadores da França, ampliaram nesta terça-feira os protestos contra as reformas econômicas promovidas pelo presidente do país, Emmanuel Macron, em uma greve que uniu, pela primeira vez em dez anos, todos os sindicados do funcionalismo.

A paralisação de hoje reuniu nove centrais sindicais, que representam 5,5 milhões de servidores federais, regionais e locais, e mostra o crescente descontentamento do setor público com as medidas tomadas pelo governo. A greve afetou bastante os serviços públicos ao longo do dia, especialmente os transportes e a educação.

Cerca de 30% dos voos nos principais aeroportos do país foram cancelados, de acordo com a Direção-Geral de Aviação Civil. Além disso, 17,5% dos professores aderiram à greve, segundo o Ministério da Educação.

As autoridades calcularam uma participação de 26 mil pessoas em uma manifestação de Paris, mas a Confederação-Geral do Trabalho da França (CBT) afirma que 400 mil servidores participaram de mais de 70 protestos em todo o país. O Ministério do Interior, por sua vez, reduziu o número para 209 mil.

A redução de 120 mil cargos até 2022 e a discriminação fiscal na elevação de impostos em relação ao setor privado são algumas das principais críticas dos sindicatos às reformas de Macron.

"No total, os servidores perderão entre 4% e 5% de seu poder aquisitivo por ano se tudo o que foi anunciado for aplicado", disse o secretário-geral da UNSA, Luis Bérille, à Agência Efe.

O líder sindical explicou que os servidores esperarão a próxima semana, quando haverá uma reunião com o ministro da Fazenda, Gérald Darmanin, para saber se será preciso adotar mais medidas de pressão.

O ministro, no entanto, já deu a entender que não vai mudar sua proposta, que tem como objetivo colocar o déficit do país abaixo de 3% do Produto Interno Bruto (PIB), como pede a União Europeia (UE).

"O governo ouve, recebe os sindicatos que se manifestam e que têm todo o direito de decretar greve, mas a maioria (parlamentar) foi eleita para aplicar o programa do presidente Macron, especialmente o de transformação dos serviços públicos", disse o ministro em um recente discurso na Assembleia Nacional da França.

Foram registrados alguns incidentes entre manifestantes e policiais na manifestação de Paris, nenhum deles grave. O protesto contou com a participação de vários líderes sindicais, entre eles Philippe Martínez, da CGT, que lidera a luta contra a reforma trabalhista de Macron, uma pauta que não uniu todos os sindicatos.

"Os servidores são normalmente tratados como uma espécie de folgados. Isso é que mais os irrita, e com razão", disse.

Na capital francesa, nove institutos públicos de ensino também foram palco de protestos de estudantes. Eles bloquearam as entradas dos locais com cestas de lixo e chegaram a colocar fogo em alguns objetos, gerando danos materiais.

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