Velha raposa política, Manafort deixa sombra do poder e cai nas garras do FBI

Rafael Salido.

Washington, 30 out (EFE).- As imagens do ex-chefe de campanha do presidente Donald Trump, Paul Manafort, se entregando ao FBI na manhã desta segunda-feira e a decisão de uma juíza da Corte do Distrito de Columbia de que ele terá que cumprir prisão domiciliar podem representar a queda definitiva de um personagem que há décadas percorre com desenvoltura os bastidores do poder, seja em Washington ou em Moscou.

É exatamente essa facilidade para trilhar os atalhos da capital de seu país, os Estados Unidos, como os de uma Rússia que volta a lembrar o grande rival da Guerra Fria, que pode encerrar a carreira deste republicano, de 68 anos, e que trabalha dentro do mundo político desde a década de 1970.

Em julho do ano passado, Manafort saiu das sombras e foi colocado nos holofotes da investigação aberta pelo então diretor do FBI, James Comey, que tentava apurar a possível interferência do Kremlin na campanha presidencial vencida por Trump.

Cerca de um ano depois, com Trump já eleito e Comey demitido pelo novo presidente, as relações obscuras entre Manafort e a Rússia começam a ser esclarecidas pelo promotor especial Robert Mueller, designado especialmente para investigar a atuação russa no pleito.

O ex-assessor de Trump enfrentará as acusações de lavagem de dinheiro, realizar declarações falsas e enganosas, ocultar informações financeiras sobre suas contas no exterior e conspiração.

Manafort assumiu o comando da campanha de Trump pouco depois de o agora presidente vencer as eleições primárias republicano no estado de Indiana, um triunfo decisivo para o magnata, que passava a ser então o virtual candidato do partido à presidência dos EUA.

Em um gesto que mostra o gosto pela proximidade com o poder, Manafort, formado em Ciências Empresariais pela Escola de Direito da Universidade de Georgetown em 1974, Manafort chegou a se oferecer para trabalhar de graça para Trump.

A oferta chama atenção por causa da grande experiência de Manafort como assessor político. A relação profissional do ex-funcionário de Trump com o Partido Republicano começou em 1976, quando ele foi assessor do então presidente Gerald Ford (1974-1977) em sua fracassada tentativa de reeleição.

A passagem desse advogado nascido em Connecticut pela equipe do atual ocupante da Casa Branca, no entanto, durou poucos meses. Manafort teve que deixar a assessoria de Trump após a divulgação de que estava sendo investigado na Ucrânia por receber pagamentos de um partido pró-Rússia.

As revelações foram feitas pelo jornal "The New York Times" poucos meses antes das eleições presidenciais. Manafort era acusado de estar em uma lista de pagamentos feito pelo partido do ex-presidente ucraniano Victor Yanukovich, aliado de Vladimir Putin.

Na relação apareciam um pagamento total de US$ 12,7 milhões a Manafort, feito em parcelas entre 2007 e 2012, o que elevava o temor de que o Kremlin estava interferindo no pleito americano.

O nome de Manafort voltou a ser uma pedra no sapato de Trump quando o filho mais velho do presidente, Donald Trump Jr., confessou ter participado em junho de 2016 de uma reunião com a advogada russa Natalia Veseltnitskaya. O assessor também participou do encontro na qualidade de diretor da campanha do republicano.

Segundo o próprio filho do presidente, o objetivo da reunião era obter informações comprometedoras para prejudicar a então candidata democrata à Casa Branca, Hillary Clinton.

Mais uma vez, Manafort aparecia no centro das suspeitas conexões entre o Kremlin e a campanha de Trump.

"Não tive conexão com Putin ou com o governo russo antes, durante ou depois da campanha", rebateu Manafort.

Após décadas se movimentando nas sombras dos bastidores do poder, Manafort decidiu hoje se entregar às autoridades para enfrentar as acusações que podem estremecer os alicerces da Casa Branca.

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