Sultão de Omã completa 77 anos onipresente e venerado no país

Francesca Cicardi.

Mascate, 18 nov (EFE).- Com imagem quase onipresente nas ruas da capital Mascate, o sultão de Omã, Qaboos bin Said, que completa 77 anos neste sábado e está há quase cinco décadas no trono, é uma personalidade venerada entre a população do país, inclusive a cúpula que o dirige.

"É um super ser-humano no sentido amplo da palavra. Tem espaço para todos os sentimentos ou assuntos humanos, acredita na irmandade dos elementos humanos, tem tendência pelo (...) espiritual, pelo entendimento das culturas", afirmou o assessor do sultão para Assuntos Culturais, Abdulaziz Mohammed al Rouas.

Em um encontro com jornalistas internacionais, Rouas destacou que Qabus "não subiu ao trono para governar".

"Ele é o descendente da monarquia árabe mais antiga (que reinou) sem interrupção, desde 1744 (quando Ahmed bin Said al Busaidi fundou a dinastia)", afirmou.

O conselheiro, que esteve a serviço do sultão desde sua proclamação como monarca, há 47 anos, afirmou que Qabus não é um homem de poder, mas tinha outra "missão" quando chegou ao trono.

"Veio para estender uma mão (...) a seu povo e reviver a glória deste país de forma pacífica e com amor", disse.

No dia 23 de julho de 1970, Qaboos derrubou seu pai, Said bin Taimur, em um golpe palaciano não sangrento, com a promessa de modernizar o governo, desenvolver o país e voltar a colocá-lo "no lugar que merece no mundo", segundo o discurso que dirigiu ao povo naquele dia, que é festa nacional em Omã, da mesma forma que o aniversário do sultão.

Quando Qaboos afastou seu pai do trono, com o apoio do Exército e de membros da família real, o país não tinha boas comunicações e transportes além da capital.

Só havia três escolas - para homens - e poucos hospitais obsoletos, mas graças a sua "visão" e à descoberta do petróleo nos anos 60, o país experimentou uma grande transformação.

Os anos 70 são conhecidos como os do "renascimento", que o novo sultão baseou na educação: em 1975 já havia 214 escolas e em 1982 foi fundada a primeira universidade, que leva o nome de Qabus.

Além disso, o monarca implantou um sistema de saúde moderno e gratuito (de 150 médicos em 1975 para mais de 3.500 atualmente), que melhorou notavelmente a esperança de vida e diminuiu a mortalidade infantil.

O desenvolvimento econômico está vinculado, sobretudo, ao petróleo, como em todo o golfo Pérsico, mas Omã não tem reservas tão grandes como os seus vizinhos, por isso o país buscou diversificar as fontes de receita nos últimos anos, embora o chamado "ouro negro" continue a ser a locomotiva do país, com uma produção de 1 milhão de barris por dia (dados de outubro de 2017).

Um dos principais desafios de Omã - que ficou em evidência durante a "Primavera árabe", pela qual passou pisando em ovos - é o desemprego, como alegam vários representantes governamentais, por isso o país projetou uma estratégia de "omanização" dos seus trabalhadores, que em grande porcentagem é de outras nações asiáticas e africanas.

A ONG Human Rights Watch denunciou que as empregadas domésticas procedentes da Tanzânia sofrem exploração e abusos em Omã e no vizinho Emirados Árabes Unidos, mas este tipo de crítica não aparece na imprensa local, nem é reconhecida pelas autoridades.

"Acreditamos que a liberdade de expressão é muito importante, e ela está protegida pela lei e a Constituição de Omã", declarou o ministro de Informação, Abdulmunim al Hassani, à Agência Efe.

"Na imprensa são encontradas críticas ao governo e a seus serviços, mas há uma lei que protege as pessoas", acrescentou, se referindo de forma indireta a Qaboos, que não tem descendentes e nem designou - pelo menos publicamente - um possível sucessor.

Uma funcionária do Parlamento omanense, Amal bint Taleb, admitiu à Efe que tanto a imprensa como os cidadãos nas redes sociais não podem falar livremente do sultão e só podem dizer "coisas boas" a seu respeito.

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