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Conferência em Astana aborda desarmamento nuclear e segurança global

29/08/2018 09h58

Astana, 29 ago (EFE).- Uma conferência internacional sobre a não-proliferação de armas nucleares foi inaugurada nesta quarta-feira em Astana, uma política da qual depende "a segurança global", segundo o ministro das Relações Exteriores do Cazaquistão.

"A segurança global e um futuro seguro para as gerações futuras só podem ser garantidos se o mundo estiver completamente livre de armas nucleares", declarou o ministro Kairat Abdrakhmanov durante a abertura do evento de dois dias.

É por isso que o Cazaquistão organizou o evento visando uma aguardada entrada em vigor do Tratado de Proibição Completa de Testes Nucleares (TPCEN).

"A eliminação da ameaça nuclear é possível e o TPCEN é um instrumento fundamental para esta tarefa", afirmou Abdrakhmanov.

Este tratado tem como objetivo proibir os testes nucleares, mas até o momento Estados Unidos, China, Egito, Israel, Irã, Índia, Paquistão e Coreia do Norte não aderiram a ele novamente, o que paralisou o processo.

"Os oito países que não ratificaram o tratado, mas suas assinaturas são necessárias para que entre em vigor. Deveriam ter assinado ontem, mas sei que é um processo difícil que precisa de confiança", disse o secretário-executivo do TPCEN, Lassina Zerbo.

Mesmo assim, Zerbo confia em uma mudança de atitude desses países para que o TPCEN "mantenha a comunidade internacional em um consenso da necessidade de um mundo livre de armas nucleares".

"Acredito que nosso trabalho está funcionando. Alguns destes oito países estão atuando como observadores e estão agora começando a entender a necessidade deste tratado", disse o secretário.

Por sua vez, o vice-ministro das Relações Exteriores do Cazaquistão, Roman Vassilenko, teve uma atitude mais crítica e ressaltou a necessidade urgente de estes países ratificarem o tratado.

"Têm que fazê-lo. É de conhecimento público quais países são e por isso devem fazer e espero que conferências como a de hoje em Astana sejam mais um passo para conseguir a entrada em vigor do TPCEN", disse à Agência Efe Vassilenko.

Algo com o qual está de acordo Ilya Korsekov, membro do grupo de jovens da Organização TPCEN, que defende exercer pressão através da opinião pública "para se dirigir às altas esferas".

"Entre estes oito países se destaca a superpotência mundial dos EUA e uma mudança de clima nesse país favoreceria a entrada em vigor do tratado", disse o jovem russo.

A conferência coincidiu com o Dia Internacional contra os Testes Nucleares e com o aniversário do fechamento do polígono soviético de testes atômicos Semipalatinsk em 1991 por ordem do então e atual presidente cazaque, Nursultan Nazarbayev, o que pôs o país no centro da luta pelo desarmamento nuclear.

Nazarbayev presidiu a cerimônia de abertura do Muro da Paz, um moderno elemento arquitetônico inspirado no fechamento do polígono de testes nucleares de Semipalatinsk há 25 anos.

A conferência, realizada sob o lema "Lembrando o passado, olhando para o futuro", contou com a presença de representantes governamentais e membros do grupo de jovens da Organização do TPCEN, assim como de seu Grupo de Pessoas Eminentes.

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