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Comissão Eleitoral da RDC se diz "incapaz" de organizar eleições a tempo

20/12/2018 13h54

Kinshasa, 20 dez (EFE).- A Comissão Eleitoral da República Democrática do Congo (RDC) informou nesta quinta-feira em reunião com candidatos às eleições presidenciais que é "tecnicamente incapaz" de organizar as eleições do próximo domingo.

"A Ceni (Comissão Eleitoral Nacional Independente) nos informou que não tem capacidade técnica de organizar eleições de 23 de dezembro", disse ao sair da reunião um dos candidatos, Théodore Ngoy, ao portal de notícias congolês "Actualité".

O presidente da Ceni, Corneille Nangaa, deve dar mais detalhes em entrevista coletiva na tarde de hoje, mas a imprensa local e os candidatos especulam que o adiamento das eleições é quase iminente.

O pleito estava planejado inicialmente para dezembro de 2016, quando terminava o segundo mandato do presidente, Joseph Kabila, mas a Ceni anunciou que não seria possível realizar a votação por problemas técnicos, e as eleições vinham sendo postergadas desde então.

O clima no país é tenso e centenas de estudantes se encontram reunidos na Universidade de Kinshasa para reivindicar a realização das eleições.

O candidato da coalizão opositora Lamuka ("Desperta", em lingala), Martín Fayulu, declarou hoje que "depois de mais de dois anos de atrasos constitucionais, um adiamento é injustificável", em comunicado conjunto com os opositores Jean-Pierre Bemba e Moise Fayulu, cujos partidos são integrados nessa coalizão.

"A Ceni e o governo ilegítimo do senhor Kabila tiveram amplamente tempo para preparar boas eleições críveis e pacíficas", acrescentam no comunicado.

Durante a campanha também houve ataques contra material eleitoral e na noite de 15 de novembro um armazém da Ceni com equipamento e máquinas de votação apareceu queimado em Kinshasa.

Segundo informou na última terça-feira a ONG local Associação Congolesa de Acesso à Justiça, pelo menos dez pessoas morreram em atos eleitorais na RDC desde o início da campanha eleitoral, em 22 de novembro.

Calcula-se que mais de 40 milhões de pessoas votariam neste domingo em eleições que podem significar a primeira transferência pacífica de poder da história do maior país da África Subsaariana. EFE

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