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Internacional

Trump vence Kim na batalha pela popularidade entre os vietnamitas

27/02/2019 06h01

Eric San Juan.

Hanói, 27 fev (EFE).- A poucas horas da cúpula com Kim Jong-un em Hanói, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, vence o líder da Coreia do Norte na batalha da popularidade entre os vietnamitas, que admiram principalmente sua firmeza, sua personalidade forte e sua condição de milionário.

"É um homem intenso, firme, que dá tudo pela América e por seu povo. Ele já era milionário antes de ser presidente, não está lá por dinheiro, se sacrifica. Não gosto de Kim porque é um ditador e não apoia políticas de abertura", disse An, um taxista de 40 anos.

A fortuna de Trump é uma das principais razões da sua grande popularidade entre os vietnamitas, que frequentemente consideram a riqueza como uma virtude pessoal, e é também uma das motivações que levou dezenas de cidadãos de Hanói a tingir o cabelo como o do presidente americano.

"Gosto mais de Trump porque ele é rico e é mais poderoso", comentou Duc, um estudante de 19 anos que, assim como outros 20 amigos seus, pintou o cabelo como o do atual morador da Casa Branca.

Seu aspecto físico, suas expressões faciais e sua personalidade forte levaram o artista Tram Lan Binh a se inspirar em Trump e a dedicar a ele 50 retratos coloridos em acrílico nos últimos anos.

Alguns deles estão expostos na cafeteria da qual ele é gerente nos arredores de Hanói, junto a uma escultura em tamanho real do presidente americano vestido com uma chamativa combinação de camisa regata e shorts.

"Conseguimos expor alguns retratos há um ano em Washington, em frente à Casa Branca. Não estão à venda porque são quadros que pinto com o coração, e não por dinheiro. Sinto um afeto especial por Trump. Sua personalidade aberta e direta, suas expressões faciais e a maneira com que suporta a pressão me inspiram. Ele não se importa com o que as pessoas dizem", explicou o artista, de 37 anos.

"A parte que mais aproveito é quando pinto seus olhos e os traços do seu rosto", acrescentou.

Nos últimos dias, a cafeteria foi decorada especialmente para a ocasião, com bandeiras dos EUA e da Coreia do Norte, pedidos de paz e também retratos de Trump junto a Kim, outra das fontes de inspiração de Binh.

"Pintei estes quadros quando soube que a cúpula seria realizada, mas tenho interesse em Kim há muito tempo. Inclusive comecei a retratá-lo antes do seu primeiro encontro com Trump. Ele é inteligente, firme, direto e corajoso por aceitar se reunir com Trump", afirmou.

Além disso, o pintor diz que se atrai especialmente pelas características físicas do norte-coreano, seus "lábios lindos e seu rosto arredondado".

"Kim é uma obra-prima viva", destacou.

O líder norte-coreano não tem no Vietnã a popularidade de Trump, mas se existe um lugar de Hanói onde há uma enorme expectativa por sua chegada é o jardim de infância da amizade entre o Vietnã e a Coreia do Norte.

Em homenagem a Kim, as crianças de três a seis anos representam com suas professoras um número de canto e dança vestidos com trajes típicos vietnamitas e norte-coreanos, com bandeiras de ambos os países desenhadas nas bochechas.

Construído em 1978 com financiamento de Pyongyang, o jardim de infância é hoje um dos centros pré-escolares mais prestigiados da cidade, com 450 alunos e 17 salas de aula, uma delas dedicada a Kim Il-sung, primeiro líder norte-coreano e avô de Kim Jong-un.

Hoje essa característica é percebida no ensino do idioma e da cultura, nos professores que fazem intercâmbio em um colégio norte-coreano e no nome de algumas salas de aula.

Dentro da sala dedicada a Kim Il-Sung, as crianças colorem um mural com as bandeiras de ambos os países, similar a outros expostos por todo o centro, junto a fotografias de históricos líderes norte-coreanos e vietnamitas.

Algumas professoras têm a esperança de que a "secretíssima" agenda do líder da Coreia do Norte tenha espaço para uma visita ao jardim de infância.

"Estamos todas muito ansiosas. Não sabemos se ele virá, mas se vier, estaremos preparadas para dar as boas-vindas", disse uma delas. EFE

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