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May admite que não tem votos suficientes para aprovar acordo do "Brexit"

A primeira-ministra britânica, Theresa May - EMMANUEL DUNAND/AFP
A primeira-ministra britânica, Theresa May Imagem: EMMANUEL DUNAND/AFP

25/03/2019 14h14

A primeira-ministra do Reino Unido, Theresa May, admitiu nesta segunda-feira (25) que ainda não conta com votos suficientes na Câmara dos Comuns para aprovar o acordo firmado por ela com a União Europeia (UE), já rejeitado em duas ocasiões.

Por esse motivo, a líder do Partido Conservador não prevê, ao menos por enquanto, submeter o texto à votação dos parlamentares uma terceira vez. A Câmara dos Comuns votou contra o acordo da primeira-ministra em 15 de janeiro e em 12 de março.

May disse que seguirá negociando com os grupos políticos britânicos e não descarta colocar o acordo assinado por ela mais uma vez na pauta da Câmara dos Comuns. Caso ele seja rejeitado outra vez, a primeira-ministra garantiu que se esforçará para conseguir o consenso parlamentar sobre o caminho que o país deve tomar.

Apesar da oferta conciliadora, May afirmou que não irá apoiar uma proposta que mantenha o Reino Unido no mercado único europeu ou em uma união aduaneira com a UE. Para ela, as duas opções seriam uma traição da vontade popular expressada no referendo de 2016.

Os deputados britânicos votarão na tarde de hoje uma moção proposta pelo governo para determinar quais as preferências da Câmara dos Comuns sobre os passos seguintes no processo.

Como as decisões tomadas pelos parlamentares não são vinculativas, o governo poderá adotar outras opções nas negociações.

May foi hoje à Câmara dos Comuns para informar que a UE aceitou adiar o "Brexit", marcado inicialmente para o dia 29 de março.

Os líderes europeus deram duas opções ao Reino Unido. Caso os deputados aprovem o acordo firmado pela primeira-ministra, a nova data de saída será 22 de maio.

Se a aprovação não ocorrer, o país terá até o dia 12 de abril para decidir se o divórcio será abrupto, sem pacto com o bloco europeu, ou se pede uma nova prorrogação do prazo.

A primeira-ministra alertou os deputados que a Câmara dos Comuns deve votar ainda nesta semana uma modificação na lei do "Brexit" para aprovar a mudança da data de saída do bloco europeu.

Na sessão que será realizada hoje, o presidente da Câmara dos Comuns, John Bercow, selecionará as emendas que serão votadas. A sugestão que mais tem chance de prosperar é uma iniciativa multipartidária que propõe que os deputados votem na próxima quarta-feira alternativas para o processo do "Brexit".

May criticou a proposta e mostrou ceticismo quanto sua eficácia, sugerindo que os conservadores votem contra a emenda.

Já o Partido Trabalhista, o principal da oposição, quer tempo para votar várias alternativas ao "Brexit", inclusive analisar a realização de um novo referendo sobre a saída da UE.

Após se reunir ao longo do fim de semana com correligionários "rebeldes" para tentar convencê-los a apoiar o acordo já negociado com a UE, May recebeu representantes do Partido Democrático Unionista (DUP), da Irlanda do Norte, que faz parte da base de sustentação do governo britânico na Câmara dos Comuns.

Apesar dos esforços de May, a posição do DUP não mudou. O partido continua contrário ao acordo firmado pela primeira-ministra.

A pressão para que May renuncie cresceu nos últimos dias, mas ela ainda não deu sinais de que deixará o cargo.

Enquanto o Reino Unido prolonga sua crise política, a Comissão Europeia (CE) anunciou que concluiu os preparativos para um "Brexit" sem acordo, que aconteceria no dia 12 de abril se o Reino Unido não aprovar o acordo de May e não oferecer qualquer alternativa para a saída do bloco europeu.

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