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Correa cogita se candidatar a vice-presidente como Cristina na Argentina

2019-05-22T22:12:00

22/05/2019 22h12

Quito, 22 mai (EFE).- O ex-presidente do Equador, Rafael Correa, afirmou nesta quarta-feira à Agência Efe que espera que sejam realizadas eleições antecipadas no seu país e cogita se candidatar a vice-presidência, assim como Cristina Kirchner fez na Argentina.

"É uma proposta", disse o ex-governante, acrescentando que dentro da sua ideia, para o cargo de presidente, "provavelmente busque alguém que não seja tão próximo da Revolução Cidadã", seu movimento político.

"O importante é cumprir o papel histórico de recuperar a pátria", declarou, após fazer críticas ao seu sucessor, Lenín Moreno, que nesta quinta-feira conclui seu segundo ano de governo.

Morando na Bélgica desde que deixou o poder em 2017 e requerido pela Justiça do seu país por violação de medidas cautelares em um caso de sequestro que ele considera parte de uma "perseguição política", Correa pede que seja investigado um suposto caso de corrupção que não hesita em atribuir ao seu sucessor.

"Estamos falando de um caso de corrupção gravíssimo. Moreno deve ser preso. E antecipar eleições", afirmou sobre o chamado "caso INA Papers", sobre a possível aquisição de diferentes bens através de empresas offshore registradas em nome de terceiros.

Em uma análise da situação após dois anos de ter deixado o cargo, e depois de ter rompido com aquele que foi seu vice-presidente e agora ocupa seu antigo posto, Correa não economiza em acusações contra Moreno.

"Como pode acusar de corrupção um governo do qual ele mesmo fazia parte? Não se deu conta que havia corrupção generalizada? Isso é assim porque é mentira!", declarou Correa, lembrando que Moreno foi seu vice-presidente durante cinco anos.

Além disso, Correa opinou que a solução para as mudanças executadas por Moreno - que incluem limitar a eleição indefinida por referendo, o que lhe impede de ser candidato a presidente - só pode ser alcançada por meio de uma nova "assembleia nacional constituinte".

"O meu desejo era me retirar da política, mas, se anteciparem eleições, se tiver que retornar (..), eu poderia concorrer a vice-presidente ou à Assembleia (Nacional), tentar ganhar essas eleições e então organizar uma assembleia constituinte para recuperar a pátria", explicou.

Sobre a ideia da ex-presidente argentina de participar como segundo nome de uma chapa liderada pelo seu ex-chefe de gabinete, Alberto Fernández, Correa a classificou como "inteligente", porque "se Cristina estiver à frente uma série de opositores tentaria destruí-la".

"Agora temos outra pessoa à frente e ela vai reforçar. Eu acho que isso vai somar bastantes votos e aumenta as probabilidades de vitória", avaliou.

Uma tática que ele propõe também para seu país, onde, a princípio, as próximas eleições presidenciais estão previstas para 2021.

Perguntado sobre quem seria seu número um ideal para formar uma chapa, Correa respondeu que "há muitos dirigentes em nível nacional" porque seu movimento se preocupou "em preparar quadros", mas sugeriu uma pessoa "que não seja tão próxima da Revolução Cidadã para somar um pouco mais".

Segundo a nova lei equatoriana, Correa pode concorrer a qualquer cargo que não seja a presidência, desde que não seja condenado em tribunais.

Seu caso que corre na Justiça, relacionado com o sequestro do político opositor Fernando Balda na Colômbia em 2012, está paralisado porque não pode ser julgado à revelia, mas, se chegar ao Equador, será detido por violar a medida cautelar imposta por uma juíza de apresentar-se a cada duas semanas em uma corte em Quito.

Correa apela ao apoio popular como contramedida a essas restrições e, embora reconheça que possa ser preso, acredita que não se atreveriam a fazer "as armadilhas que fizeram (..) sendo vice-presidente da República". EFE

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