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Vice-presidentes de China e Brasil fecham acordo para reforçar cooperação

23/05/2019 14h00

Pequim, 23 mai (EFE).- Os vice-presidentes da China, Wang Qishan, e do Brasil, Hamilton Mourão, presidiram nesta quinta-feira em Pequim o quinto encontro da Cosban, a comissão bilateral sino-brasileira, e fecharam acordo para "reforçar as trocas e a cooperação em todas as áreas".

Na ata da reunião, à qual a Agência Efe teve acesso, ficou claro que Wang e Mourão "avaliaram positivamente os progressos recentes" nos laços bilaterais e falaram da preparação de um novo plano de dez anos para as relações entre 2022 e 2031.

Se ontem Mourão tinha falado sobre a necessidade de "atualizar" a Cosban - criada em 2004, "quando o comércio era 11 vezes menor"-, hoje os dois vice-presidentes se comprometeram a "melhorar a estrutura da comissão".

Por enquanto, a única coisa que está clara neste sentido é que a sexta sessão da Comissão será realizada em Pequim e que Wang aceitou o convite de Mourão para presidi-la novamente.

Este quinto encontro, o primeiro desde 2015, retomou também a promessa de que China e Brasil facilitarão o comércio e promoverão que este seja de alta qualidade.

Outra queixas de Mourão feita ontem no Conselho Empresarial China-Brasil tem relação com a "persistência" das exportações de produtos de baixo valor agregado ao gigante asiático, assunto que também foi tratado na reunião de hoje, quando ficou acertado um compromisso de "criar condições para diversificar e aumentar o valor agregado dos produtos vendidos pelo Brasil à China".

Desde 2009, a China é o principal parceiro comercial do Brasil e o volume de negócios na balança comercial entre ambos chegou a US$ 98,9 bilhões somente no ano passado, segundo dados oficiais.

Já sobre as trocas, ambos concordaram em "promover os fluxos de livre-comércio no setor de produtos agrícolas e animais", como a entrada no mercado brasileiro das peras e de produtos de aquicultura chineses, e, pelo lado contrário, que os melões brasileiros tenham o mesmo destino na China.

Além disso, a ata cita outros produtos que, quando obtiverem as condições sanitárias exigidas, conseguirão entrar na lista de livre-comércio entre os dois países: lácteos, carne suínas, carne bovina processado termicamente, proteínas de soja para ração animal, material genético de aves e plasma sanguíneo bovino.

Wang e Mourão mostraram estar satisfeitos com o acordo que evitará que um painel da Organização Mundial do Comércio (OMC) resolva a queixa apresentada pelo Brasil sobre os supostos impedimentos que a China pôs à importação de açúcar brasileiro.

Outro tema-chave da visita do vice-presidente brasileiro é a possível adesão à multimilionária iniciativa chinesa de infraestruturas conhecidas como Nova Rota da Seda.

No entanto, nada ficou fixado sobre este assunto, salvo o reconhecimento das possíveis "sinergias" entre as políticas de desenvolvimento da China e do Brasil, assim como de seus programas de investimento.

Os laços, segundo revela o documento da Cosban, estão voltados também para "projetos bilaterais-chave" em áreas como energia e mineração, infraestruturas e logística, e agricultura, assim como em cooperação espacial, com a possibilidade de novos projetos conjuntos de satélites.

Sobre a atual situação internacional, ambos os líderes se mostraram favoráveis ao multilateralismo e ao livre-comércio, e contra o protecionismo, ao mesmo tempo que destacaram que seus países conseguiram "um desenvolvimento estável, apesar dos desafios persistentes e das pressões sobre a economia global".

A visita de Mourão à China serve como prévia à que se será realizada pelo presidente Jair Bolsonaro durante o segundo semestre deste ano, e à do presidente da China, Xi Jinping, ao Brasil, marcada para novembro, quando está previsto que participe em Brasília da cúpula dos Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul).

A viagem, segundo Mourão, servirá para enviar uma "mensagem política" de Bolsonaro ao Governo chinês; de fato, amanhã Mourão se reunirá com Xi e lhe entregará uma carta que contém a citada "mensagem" por parte do presidente brasileiro. EFE

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