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China vê Brasil como parceiro para "multipolarização mundial"

24/05/2019 12h43

Pequim, 24 mai (EFE).- O presidente da China, Xi Jinping, afirmou nesta sexta-feira seu país e o Brasil são "as maiores nações em desenvolvimento de oriente e do ocidente e duas grandes forças no processo de multipolarização mundial", em declarações ao término de um encontro com o vice-presidente brasileiro Hamilton Mourão.

Mourão realiza uma visita oficial ao país em um momento de confronto frontal entre Pequim e Washington, este último um representante - segundo a China - de um mundo unipolar.

"O respeito, a confiança e o apoio mútuo servirão para transformar a relação entre China e Brasil em um modelo de solidariedade e cooperação entre os países em desenvolvimento e em uma força importante para promover a paz e o desenvolvimento mundial", opinou Xi, citado nesta sexta-feira pela emissora de televisão estatal "CCTV".

Para Xi, os dois países "são grandes mercados emergentes" com "grande potencial para o desenvolvimento" e, por isso, convidou o Brasil a participar da iniciativa chinesa de construção da "Nova Rota da Seda", apesar de nenhum memorando a respeito ter sido assinado até o momento, segundo fontes da delegação brasileira.

Nesse sentido, Mourão disse que "o Brasil está disposto a promover a convergência de seus planos de associação em matéria de investimentos com a iniciativa" (da Nova Rota da Seda), além de ampliar a cooperação em matéria de comércio, ciência e tecnologia e inovação.

Mourão destacou que a iniciativa é uma "grande contribuição da China para a promoção do crescimento econômico mundial" e considerou o país "um parceiro estratégico confiável e de confiança".

O vice-presidente também convidou a China a ampliar seus investimentos no Brasil, um dos objetivos da visita que começou na quarta-feira e termina hoje, e mostrou apoio ao país asiático em questão de multilateralismo e livre-comércio.

Além disso, Mourão entregou a Xi uma carta do presidente Jair Bolsonaro, que visitará a China na segunda metade deste ano.

Antes do encontro entre Mourão e Xi, o vice-presidente brasileiro se reuniu com vários empresários chineses, como o vice-presidente e engenheiro-chefe da China Communication and Construction Company (CCCC), Sun Ziyu, e com o presidente do Conselho de Supervisão e do Conselho Fiscal da empresa tecnológica Huawei, Li Jie.

Nesta quinta-feira, Mourão e o vice-presidente da China, Wang Qishan, presidiram o quinto encontro da Cosban, a comissão bilateral sino-brasileira, dentro da qual estabeleceram o "reforço das trocas e da cooperação em todas as áreas".

Esse encontro foi concluído com a promessa de que China e Brasil facilitarão e promoverão um comércio de alta qualidade.

Sobre a atual situação internacional, Mourão e Wang se posicionaram de forma contrária ao protecionismo, ao mesmo tempo em que destacaram que China e Brasil conseguiram "um desenvolvimento estável" apesar dos "desafios persistentes" e das pressões "sobre a economia global".

A visita de Mourão parece se enquadrar no esforço de Pequim para garantir suas alianças com as economias emergentes dos BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) em um momento de atrito com os Estados Unidos.

Nesse sentido, um enviado de alto nível de Xi comparecerá neste sábado a Pretória para a posse do presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, e está previsto que o próprio Xi visite o Brasil em novembro, quando acontecerá a cúpula dos BRICS em Brasília.

Desde 2009, a China é o principal parceiro comercial do Brasil e o volume de negócios na balança comercial entre ambos alcançou US$ 98,9 bilhões apenas no ano passado, segundo dados oficiais. EFE

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