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Oposição proporá impeachment do presidente do Paraguai por acordo com Brasil

31/07/2019 16h17

Assunção, 31 jul (EFE).- O Partido Liberal, o maior da oposição no Paraguai, proporá nesta quarta-feira às demais legendas opositoras o início do processo de impeachment do presidente Mario Abdo Benítez e do vice-presidente Hugo Velázquez, em decorrência da crise criada por um polêmico acordo com o Brasil que envolve a usina hidrelétrica de Itaipu.

O presidente dos liberais paraguaios, Efraín Alegre, disse nesta quarta-feira a jornalistas que essa posição deverá ser tomada de comum acordo "com os demais partidos fraternos" e que a legenda não tomará "uma decisão de maneira isolada".

Alegre avaliou que a proposta ganha peso após as informações de que um suposto assessor jurídico de Velázquez teria influenciado para que as negociações desse acordo com o Brasil excluíssem um ponto que permitiria à estatal elétrica paraguaia vender energia a empresas brasileiras através da hidrelétrica de Itaipu.

"Há fatos muito comprometedores e graves sobre Abdo Benítez e Velázquez", disse o líder do Partido Liberal ao analisar o caso.

Segundo a imprensa local, José Rodríguez González, que seria um assessor jurídico informal do vice-presidente do país, teria atuado para eliminar a cláusula citada do acordo, uma intervenção vista pela oposição como lesiva aos interesses do Paraguai.

"A claúsula representava US$ 700 milhões a mais para o Paraguai na venda de energia", disse o ex-senador Luis Alberto Wagner, também do Partido Liberal.

O deputado Fernando Orregioni, também da oposição, disse que o acordo é um ato de "traição à pátria" e que é preciso enviar uma mensagem clara ao Brasil de que o Paraguai defenderá seus interesses nas negociações sobre a energia de Itaipu.

O acordo, assinado em maio, mas divulgado apenas na semana passada, provocou uma crise de governo, com a renúncia do chanceler Luis Alberto Castiglioni e outros três funcionários de alto escalão.

Hoje, a diretora da Secretaria de Prevenção de Lavagem de Dinheiro e Bens (Seprelad), María Epifania González, mãe de José Rodríguez González, também entregou o cargo. EFE

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