Topo

Consórcio de Belo Monte pede para não ser culpado por massacre em Altamira

Região de Altamira (PA) enfrenta desafios agravados pelas obras da usina hidrelétrica de Belo Monte; na imagem, o rio Xingu  - Iuri Barcelos/Agência Pública
Região de Altamira (PA) enfrenta desafios agravados pelas obras da usina hidrelétrica de Belo Monte; na imagem, o rio Xingu Imagem: Iuri Barcelos/Agência Pública

01/08/2019 16h35

O Consórcio Norte, responsável pela construção e operação da hidrelétrica de Belo Monte, pediu nesta hoje para não ser considerado culpado pelo massacre no Centro de Recuperação Regional de Altamira, no Pará, onde 58 presos morreram em um confronto de facções há três dias.

"A empresa rejeita com veemência qualquer intenção de atribuir a responsabilidade a Belo Monte, a maior hidrelétrica totalmente brasileira, por problemas de ordem conjuntural", afirmou a empresa em comunicado.

A nota foi uma resposta a ONGs e movimentos sociais da região, que denunciaram que houve um aumento da violência em Altamira e outras cidades próximas nos últimos anos a partir da construção de Belo Monte.

A usina, que começou a ser construída em 2011 sobre o Rio Xingu e opera parcialmente desde 2016, está a 60 quilômetros de Altamira. O projeto também foi muito criticado por ambientalistas pelos impactos que geraria na região.

A tragédia no Centro de Recuperação Regional de Altamira ocorreu na segunda-feira, quando dois grupos criminosos rivais entraram em um confronto que deixou 58 mortos, dos quais 16 foram decapitados por outros detentos.

No dia seguinte, quatro presos que participaram do massacre foram assassinados por asfixia em um caminhão furgão penitenciário, que os levava junto a outros 26 presos para outro presídio do estado.

Altamira chegou a ser a cidade mais violenta do país em 2017, segundo um ranking formulado pelo Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública com dados de 2015.

Na nota divulgada hoje, o Consórcio Norte afirmou que qualquer tipo de vinculação com o massacre afeta a imagem da empresa e o lucros gerados para Altamira, para a região e para o país. Além disso, o grupo disse que está a disposição das autoridades para prestar informações sobre benefícios para o Brasil a partir da construção de Belo Monte.

O Consórcio Norte citou como exemplo os trabalhos realizados para o controle da malária, a melhoria da qualidade de vida das pessoas que viviam em palafitas e agora estão em casas construídas em bairros com pavimentação, saneamento básico, escolas e área de lazer.

A construção de Belo Monte foi marcada por protestos de ambientalistas, pescadores e indígenas da região. Mais tarde, as obras da usina também foram alvo da Operação Lava Jato.

Cotidiano