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Estado Islâmico reivindica ataques contra curdos em Raqqa, na Síria

Tanques de guerra turcos circulam na fronteira com a Síria - Bulent Kilic/AFP
Tanques de guerra turcos circulam na fronteira com a Síria Imagem: Bulent Kilic/AFP

Em Cairo

09/10/2019 08h18

Cairo, 9 out (EFE) - O Estado Islâmico (EI) reivindicou nesta quarta-feira um ataque cometido na noite anterior contra um posto de segurança curdo em Raqqa e outro contra veículos curdos perto da cidade síria, confirmando os primeiros atentados jihadistas na região desde que Estados Unidos anunciaram a retirada das tropas americanas do norte da Síria devido a uma iminente invasão turca.

Em comunicado, o grupo jihadista informa que, na terça-feira, um de seus combatentes conseguiu atingir "uma posição da inteligência do PKK" - usando o nome da guerrilha Partido dos Trabalhadores do Curdistão para se referir aos curdos - no centro de Raqqa, "onde utilizou metralhadoras e granadas".

"Após ficar sem munição, detonou um colete explosivo deixando 13 membros mortos e feridos", narrou o grupo, embora as milícias lideradas por curdos Forças da Síria Democrática (FSD) argumentem que o ataque não deixou feridos.

Em outra mensagem, o EI alega ter preparado uma emboscada para quatro veículos "que levavam a bordo membros apóstatas do PKK", no castelo de Yabur, perto de Al Tabqah, a oeste de Raqqa, causando a destruição dos veículos e causando "a morte e ferimentos a 12 membros".

De acordo com as FSD, o EI lançou uma operação de "grande envergadura" contra bases dessas milícias em Raqqa, mas sem causar vítimas.

"Ao mesmo tempo que os turcos ameaçam invadir o nordeste da Síria, células adormecidas do EI lançaram uma operação em grande escala contra bases de segurança das FSD dentro de Raqqa", indicou Mustafa Bali, porta-voz das FSD, no Twitter. Segundo ele, a ofensiva do EI não é uma operação de "atirar e sair correndo".

Segundo o Observatório Sírio de Direitos Humanos, dois suicidas pertencentes a células do EI lançaram um ataque à meia-noite contra um posto de segurança das FSD em Raqqa, iniciando um conflito que durou 75 minutos. No fim, os dois suicidas detonaram os explosivos que carregavam, mas sem causar outras vítimas.

Esses são os primeiros atentados dos jihadistas após a decisão dos Estados Unidos - anunciada no domingo - de sair da "zona segura" diante de uma iminente ofensiva da Turquia. A decisão foi rechaçada pelas FSD, aliadas dos EUA no combate contra o EI na região.

Raqqa foi a capital do autodenominado "califado" do Estado Islâmico desde a sua proclamação, em 2014, até 2017, quando os jihadistas foram expulsos pelas FSD.

Embora o EI tenha perdido o controle da cidade, que antes do início do conflito na Síria tinha 220 mil habitantes, os atentados e ataques continuaram nos últimos meses, mesmo após a derrota territorial do EI em março, quando as FSD conquistaram Al Baguz, a última cidade ainda nas mãos dos jihadistas.

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