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Fernández anuncia gabinete e elege fim da pobreza como desafio da Argentina

Comitê formado por Fernández será composto por 16 homens e quatro mulheres - Mariana Greif/File Photo/Reuters
Comitê formado por Fernández será composto por 16 homens e quatro mulheres Imagem: Mariana Greif/File Photo/Reuters

Rodrigo García

06/12/2019 22h52

Buenos Aires, 6 dez (EFE) - O presidente eleito da Argentina, Alberto Fernández, apresentou nesta sexta-feira os 20 ministros que farão parte de seu governo e afirmou que todos têm a qualidade moral e técnica necessária para enfrentar o principal desafio do país nos próximos quatro anos: reduzir a pobreza que cresceu desde o início da crise econômica de 2018.

Em um evento realizado em Buenos Aires, o peronista anunciou um a um os integrantes do novo governo que toma posse na próxima terça-feira. O gabinete de Fernández será composto por 16 homens e quatro mulheres.

"Vamos enfrentar um grande desafio: receber um país com quase 41% das pessoas em situação de pobreza", afirmou Fernández em discurso durante o ato.

Por esse motivo, todas as atenções estavam voltadas para quem seriam os nomes escolhidos para tirar a Argentina da crise e iniciar as renegociações para quitar a grande dívida pública do país, em especial o empréstimo contraído pelo governo de Mauricio Macri com o Fundo Monetário Internacional (FMI).

Dois nomes na economia

"Um homem jovem muito preparado, que conhece muito bem o conflito da dívida e o conflito macroeconômico da Argentina". Foi assim que Fernández descreveu Martín Guzmán, de 37 anos, o novo ministro da Economia do país.

Pesquisador e professor na Universidade de Columbia, em Nova York, Guzmán é colaborador de Joseph Stiglitz, vencedor do Nobel de Economia em 2001.

"A partir de 10 de dezembro (dia da posse) vocês vão conhecer o pensamento dele e o que temos planejado para tirar o país dessa situação de fragilidade em que ele está", afirmou o peronista, que tem a ex-presidente Cristina Kirchner, grande ausência do evento, como vice.

Espera-se que Guzmán dê nos próximos dias detalhes de como enfrentar as negociações para quitar o empréstimo de US$ 56,3 bilhões contraído pela Argentina junto ao FMI. Fernández, porém, antecipou que já está trabalhando com a organização para resolver a questão.

"É um trabalho que, para nós, deve ser feito silenciosamente. Mas os argentinos podem ficar tranquilos porque estamos nos ocupando disso há semanas", explicou o presidente eleito.

Apesar do clima democrático e amistoso da transição, Fernández aproveitou para alfinetar Macri e criticar a decisão do ainda presidente da Argentina de ampliar as dívidas de curto prazo do país.

"Evidentemente ele não conseguiria pagar, o que desatou um processo inflacionário como resultado da inoperância do governo", afirmou o peronista.

Guzmán dividirá o comando da economia com Matías Kulfas, ex-diretor do Banco de la Nación e ex-gerente-geral do Banco Central, que será o novo ministro de Desenvolvimento Produtivo.

Kulfas acompanha Fernández desde 2018, quando aliados do agora presidente eleito fundaram um grupo para discutir alternativas ao governo de Macri, e terá como missão "tirar o país do mundo da especulação financeira".

Algumas caras novas, outras nem tanto

A Frente de Todos, coalizão que elegeu Fernández, já tinha antecipado alguns dos nomes que farão parte do novo governo. Um deles é Felipe Solá, ex-governador da província de Buenos Aires, que comandará o Ministério de Relações Exteriores, e Daniel Scioli, ex-vice-presidente do país, novo embaixador da Argentina em Brasília.

Os dois são algumas das figuras conhecidas do peronismo que já estiveram na Casa Rosada durante o kirchnerismo. Agustín Rossi, por exemplo, ministro da Defesa entre 2013 e 2015, voltará ao cargo. Também é o caso de Gines González García, anunciado como titular da Saúde depois de comandar a pasta entre 2002 e 2007, e do cineasta Tristán Bauer, novo ministro da Cultura, responsável por gerir os veículos públicos de imprensa no governo de Cristina.

Para a procuradoria-geral do Tesouro Nacional, o escolhido foi o ex-secretário jurídico e técnico da presidência durante os mandatos de Néstor Kirchner e Cristina, Carlos Zannini, que passou três meses preso por ter sido acusado de encobrir o envolvimento de agentes iranianos no atentado contra a Associação Mutual Israelita Argentina (Amia) em 1994.

"Ninguém me impôs nada", disse Fernández sobre a indicação de Zannini, negando uma suposta interferência de Cristina na formação do ministério.

Gustavo Beliz, que foi ministro da Justiça e Segurança na gestão de Néstor e abandonou o cargo por divergências com o então presidente, estará ao lado de Fernández, mas desta vez como secretário de Assuntos Estratégicos.

"Ele deixou nosso governo por situações que prefiro esquecer. Voltamos a nos reencontrar depois das eleições. É um dos reencontros mais lindos que vou guardar na minha memória", disse Fernández, que foi chefe de gabinete de Néstor.

O presidente eleito também anunciou uma estrutura ministerial diferente da montada por Macri. Pastas que deixaram de existir devido à crise foram recriadas. É o caso do Ministério do Turismo e dos Esportes, que será comandado por Matías Lammens, presidente do San Lorenzo, um dos mais tradicionais times de futebol do país.

Apesar de ter anunciado poucas mulheres no primeiro escalão do novo governo, Fernández revelou que terá um Ministério das Mulheres, Gêneros e Diversidade, comandado por Elizabeth Gómez Alcorta, cumprindo assim uma das promessas feitas por ele na campanha.

Daniel Arroyo, por sua vez, será o responsável pelo Ministério de Desenvolvimento Social. O futuro comandante da pasta foi elogiado por Fernández, que disse considerá-lo "um homem absolutamente dedicado ao problema da pobreza e da fome". Para o presidente eleito, isso mostra que os pobres serão uma atenção central de seu governo.

"A maioria de nós, eu me excluo, está tendo a oportunidade de entrar na vida pública para protagonizar um momento único de mudança. Tenho enorme confiança em todos e em cada um deles, em sua juventude, em sua garra e vontade. E os que têm outras experiências, estou seguro de que vamos ajudar com a experiência que temos para que tudo seja mais fácil e simples", explicou o presidente eleito.

Sobre Macri, Fernández elogiou o antecessor pela transição democrática do poder no país, mas reiterou que a crise enfrentada pela Argentina é um "resultado das políticas aplicadas nos últimos quatro anos".

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