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Governo iraniano reporta assasinato de cientista nuclear perto de Teerã

Cena do ataque que matou o renomado cientista nuclear iraniano Mohsen Fakhrizadeh, nas proximidades de Teerã - Wana News Agency/Via Reuters
Cena do ataque que matou o renomado cientista nuclear iraniano Mohsen Fakhrizadeh, nas proximidades de Teerã Imagem: Wana News Agency/Via Reuters

27/11/2020 18h11

Teerã, 27 nov (EFE).- O prestigiado cientista nuclear iraniano Mohsen Fakhrizadeh foi assassinado hoje em um ataque cometido em Absard, na província de Teerã, segundo o Ministério da Defesa do Irã.

Fakhrizadeh, chefe da Organização de Pesquisa e Inovação em Defesa e que, segundo serviços de inteligência ocidentais, comandava o programa nuclear iraniano, apareceu nas resoluções de sanções da ONU por trabalhar no suposto desenvolvimento de armas atômicas.

O cientista ficou gravemente ferido no ataque ao seu veículo, que incluiu pelo menos uma explosão e tiros, e morreu no hospital para onde foi levado.

No confronto com os agressores, a equipe encarregada da segurança do cientista também sofreu ferimentos, de acordo com a nota do governo, publicada pela imprensa estatal, que descreve o ataque como terrorista.

O ministro das Relações Exteriores iraniano, Mohammad Javad Zarif, disse nesta sexta-feira que existem "sérios indícios do papel de Israel" no assassinato, um ataque que chamou de "terrorismo de Estado".

"Os terroristas hoje mataram um eminente cientista iraniano. Esta covardia, com sérios indícios do papel de Israel, mostra o belicismo desesperado dos perpetradores", escreveu Zarif em relato no Twitter.

Zarif pediu para que "a comunidade internacional, e especialmente a União Europeia (UE), acabe com sua vergonhosa duplicidade de critérios e condene este ato de terrorismo de Estado".

A autoria do ataque ainda não foi esclarecida, mas certos paralelos já foram traçados com os assassinatos de outros cientistas nucleares iranianos entre 2010 e 2012.

As autoridades iranianas acusaram o Mossad, a agência de inteligência de Israel, de estar por trás desses assassinatos, que foram cometidos com bombas colocadas nos veículos dos cientistas ou a tiros.

Para evitar que o Irã desenvolva a bomba atômica, foi assinado um acordo, em julho de 2015, com seis outros países para limitar o programa nuclear iraniano. No entanto, o pacto ficou enfraquecido desde que os Estados Unidos se retiraram e voltaram a impor sanções ao Irã.