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'Ninguém está sendo espionado', diz presidente do México após escândalo Pegasus

Programa teria sido usado para espionar ativistas e jornalistas de vários países - Darwin Lagazon/ Pixabay
Programa teria sido usado para espionar ativistas e jornalistas de vários países Imagem: Darwin Lagazon/ Pixabay

20/07/2021 21h19

O presidente do México, Andrés Manuel López Obrador, declarou hoje que seu governo "não espiona ninguém", após ser noticiado que tanto o governante como outras mais de mil pessoas foram espionadas com o software Pegasus.

"O governo não espiona ninguém, os opositores não estão sendo espionados. Não há censura para os veículos de informação, ninguém tem suas liberdades limitadas", comentou o presidente no Palácio Nacional.

O governo do ex-presidente Enrique Peña Nieto (2012-2018) espionou jornalistas, ativistas e até o então líder da oposição e atual presidente, López Obrador, através do programa Pegasus, segundo revelou a investigação de um consórcio internacional de veículos de comunicação.

O consórcio, coordenado pela empresa francesa Forbidden Stories, revelou que os governos de vários países espionaram 50 mil números de telefone de ativistas, jornalistas e políticos através do programa Pegasus da empresa israelense NSO Group.

O México encabeça a lista, com cerca de 15 mil nomes, motivo pelo qual López Obrador voltou ao assunto nesta terça-feira. Segundo ele, seu governo não age como os anteriores porque no seu mandato não há "tortura, repressão, massacres, corrupção, luxos no governo nem espionagem".

O "dinheiro do orçamento" era usado na espionagem de líderes da oposição, jornalistas e "um grande número" de pessoas, disse o mandatário, ao explicar que havia "equipamento sofisticado" para ouvir todas as ligações telefônicas, tanto do "alvo" da espionagem como de "todo o entorno".

"Claro que me espionaram durante um ou dois anos, muitos mais. Mas agora foi revelado que eles também espionaram a minha mulher, os meus filhos, até mesmo o médico que me atende, o cardiologista. Imaginemos quanto isso custava, quanto dinheiro era destinado à espionagem", detalhou.

O presidente disse que será feita uma análise para checar se ainda existe o contrato com a empresa NSO Group.

"Isso não é mais feito, ninguém é espionado. Não sei se pode existir o contrato, vou revisar e vamos informar hoje mesmo. Estou absolutamente certo que ninguém está sendo espionado", garantiu.

Nenhuma outra ação

Questionado sobre o assunto, o presidente observou que esta espionagem "é verdadeiramente vergonhosa e constitui uma prova irrefutável de que um governo imperava e que o povo estava submetido a um governo autoritário e antidemocrático que violava os direitos humanos".

"O Estado era o principal violador dos direitos humanos", acrescentou, mas excluiu a possibilidade de tomar medidas legais.

"Se eu começar a apresentar queixas agora, não vou terminar, temos de saber que, infelizmente, tudo isto foi sofrido e assumir o compromisso de não o repetir, que é o que estamos fazendo".

Segundo López Obrador, relatar a questão publicamente "contribui mais do que ir a um tribunal".

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