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Prisão de 'ex-chanceler' das Farc no México ocorreu a pedido do Paraguai

Rodrigo Granda, chanceler das Farc na época do conflito - Reprodução/Twitter @RodrigoGCOMUNES
Rodrigo Granda, chanceler das Farc na época do conflito Imagem: Reprodução/Twitter @RodrigoGCOMUNES

20/10/2021 05h26Atualizada em 20/10/2021 08h29

A prisão de Rodrigo Granda, um dos ex-líderes das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), ocorrida nesta terça-feira no México, se deve a uma difusão vermelha da Interpol emitida pelo Paraguai baseada em acusações de "sequestro, associação criminosa e homicídio intencional", anunciou o ministro da Defesa colombiano, Diego Molano, no Twitter.

"A Interpol Colômbia não tem poder ou acesso para modificar, esclarecer ou cancelar as informações publicadas por outros países", escreveu Molano.

Segundo o partido Comunes, que surgiu da desmobilização da guerrilha, Grande tinha recebido autorização da Jurisdição Especial para a Paz (JEP) para viajar ao México e, portanto, o governo colombiano não podia solicitar sua prisão junto às autoridades de outro país.

De acordo com a Interpol, uma difusão vermelha é um pedido às agências de aplicação da lei em todo o mundo para localizar e deter provisoriamente uma pessoa pendente de extradição, rendição ou ação judicial similar.

Farc no Paraguai

Dois membros das Farc, segundo um livro do jornalista Andrés Colmán sobre o grupo guerrilheiro Exército do Povo Paraguaio (EPP), aconselharam o Partido Pátria Livre (PPL) - de onde saiu essa organização - no sequestro de Cecilia Cubas, filha do ex-presidente Raúl Cubas.

Ela foi encontrada morta em 16 de fevereiro de 2005, enterrada em uma casa na periferia de Assunção, após cinco meses de buscas e depois que sua família pagou cerca de US$ 300 mil aos sequestradores por sua libertação.

Granda é alvo de mandado de prisão internacional a pedido do Paraguai exatamente por envolvimento nesse crime.

Prisão de Granda no México

Fontes oficiais confirmaram à Agência Efe que Granda foi preso nesta terça-feira após desembarcar no aeroporto internacional da Cidade do México. Ele, que tinha o codinome "Ricardo Téllez", era conhecido como o "chanceler" das Farc quando atuava na guerrilha.

Granda viajou ao México a convite do Partido dos Trabalhadores do país para participar do seminário internacional "Os partidos e uma nova sociedade", a ser realizado nos dias 21, 22 e 23 deste mês, e representaria o Partido Comunes, da Colômbia, junto com Rodrigo Londoño, que foi o principal líder das Farc entre 2011 e 2017.

"Um dos tópicos a serem discutidos (no seminário) é o processo de paz na Colômbia. O partido nomeou uma delegação na qual estou incluído, e também Granda. Fizemos todos os trâmites junto à JEP (Jurisdição Especial de Paz) como participantes e recebemos as autorizações de viagem", disse Londoño em um vídeo gravado no México e divulgado no Twitter.

"Hoje chegamos à Cidade do México ao meio-dia, e esta é a hora, 20h15 (22h15 de terça-feira em Brasília) em que Rodrigo Granda não pôde entrar na Cidade do México. Eu realmente não sei o que aconteceu, não quero presumir coisas ou especular. Chamei a comunidade internacional para estar ciente da segurança e do status de Rodrigo Granda", acrescentou.

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