Grupos iraquianos pedem corte das relações com sauditas após execução de clérigo

Stephen Kalin e Maher Chmaytelli

De Bagdá

  • Hamad I Mohammed/Reuters

    Manifestante segura cartaz com imagem do clérigo xiita Nimr al-Nimr, executado por autoridades sauditas neste sábado (2)

    Manifestante segura cartaz com imagem do clérigo xiita Nimr al-Nimr, executado por autoridades sauditas neste sábado (2)

O primeiro-ministro do Iraque condenou a execução pela Arábia Saudita do clérigo xiita Nimr al-Nimr neste sábado (2), em meio a reivindicações de figuras políticas e religiosas para cortar relações com Riad e suspender uma recente reaproximação.

O reino governado por sunitas reabriu sua embaixada em Bagdá nesta semana pela primeira vez desde que os laços entre os dois países foram cortados por causa da invasão do Kuweit pelo Iraque em 1990, evidenciando esforços para retomar relações para fortalecer a aliança regional contra o Estado Islâmico.

Mas a execução de Nimr criou reivindicações para que a embaixada seguisse fechada, enquanto o primeiro-ministro Haider al-Abadi alertou sobre as repercussões para a segurança regional.

A Asaib Ahl al-Haq, milícia apoiada pelo Irã, acusou a Arábia Saudita de buscar alimentar a disputa entre sunitas e xiitas. "Qual é a utilidade de ter uma embaixada saudita no Iraque?", indagou o grupo armado em comunicado.

Qassim al-Araji, líder da organização Badr, outro grupo paramilitar xiita com ligações com o Irã e braço político, pediu que o governo cortasse relações diplomáticas imediatamente.

Segundo ele, a execução de Nimr "abriu os portões do inferno", segundo transmissão do canal de TV al-Ghadeer.

Abadi, um xiita moderado, cujo Partido Dawa tem ligações com o Irã, evitou usar uma linguagem agressiva, mas disse que a execução teria consequências.

A Arábia Saudita executou 47 pessoas, entre elas Nimr, a quem o governo acusou de estimular a violência contra a polícia. Simpatizantes de Nimr afirmam que ele era um dissidente pacífico que defendia mais direitos para a minoria xiita no reino.

A execução foi criticada de forma dura e ampla no Irã, Líbano e em outros países com populações xiitas.

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