OMS diz estar alarmada com Zika e prevê 1,5 milhão de casos no Brasil

GENEBRA (Reuters) - A Organização Mundial de Saúde (OMS) acredita que o Zika vírus, que está se espalhando pelas Américas, poderá afetar entre três milhões e quatro milhões de pessoas, incluindo 1,5 milhão apenas no Brasil, afirmou um especialista nesta quinta-feira.

A diretora-geral da OMS, Margaret Chan, disse que a disseminação da doença, que é transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, passou de uma ameaça moderada para uma questão de proporções alarmantes.

Marcos Espinal, especialista em doenças infecciosas da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), o braço regional da OMS nas Américas, declarou: "Podemos esperar entre três e quatro milhões de casos de doenças do vírus Zika". Ele não mencionou um intervalo de tempo.

Não existe vacina ou tratamento para o Zika, que é da mesma família da dengue e da febre chikungunya e causa febre moderada, erupção cutânea e vermelhidão nos olhos. Cerca de 80 por cento das pessoas infectadas não exibem sintomas, o que torna difícil saberem se foram contaminadas.

A diretora da OMS disse que a entidade irá convocar uma reunião do comitê de emergência na segunda-feira para ajudar a determinar o nível de reação internacional ao surto do vírus, que está se disseminando a partir do Brasil e que se acredita estar relacionado a casos de microcefalia em recém-nascidos.

"O nível de alarme é extremamente alto", afirmou Chan aos membros do conselho executivo da OMS durante reunião em Genebra. "Nessa altura, foram relatados casos em 23 países e territórios na região (das Américas)".

O Ministério da Saúde do Brasil informou em novembro de 2015 que o Zika estava relacionado a casos de microcefalia, uma malformação congênita em que bebês nascem com a cabeça menor do que o tamanho normal.

O Brasil registrou oficialmente 3.893 casos suspeitos de microcefalia, afirmou a OMS na semana passada, mais de 30 vezes a mais do que em qualquer ano desde 2010 e o equivalente a 1 a 2 por cento de todos os recém-nascidos de Pernambuco, um dos Estados mais atingidas pela doença.

Chan disse que, embora ainda não se tenha estabelecido uma relação causal entre o Zika vírus e malformação congênita, existe uma "forte suspeita".

"As possíveis ligações, só recentemente suspeitadas, mudaram rapidamente o perfil de risco do Zika de uma ameaça moderada para uma de proporções alarmantes", afirmou.

(Por Tom Miles e Stephanie Nebehay, em Genebra, e Kate Kelland em Londres)

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