CENÁRIOS-Modelo da venda do Citi na A.Latina pode apontar interessados em ativos no Brasil

  • Por Aluísio Alves

Por Aluísio Alves

SÃO PAULO (Reuters) - A forma escolhida pelo norte-americano Citi para a venda de suas operações de varejo no Brasil, Argentina e Colômbia deve determinar os interessados mais prováveis nos ativos brasileiros do grupo, disseram especialistas à Reuters.

Por motivos diferentes, uma eventual opção por venda conjunta nos três países, incluindo o negócio de cartões, tenderia a tirar o apetite de Itaú Unibanco, Bradesco e dos estatais Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal. O primeiro tem mais interesse em expansão no exterior, e já citou nominalmente a Argentina. Os demais, ao contrário, têm manifestado que não querem expansão no exterior agora.

Uma venda fatiada por país colocaria todos na briga. Em qualquer caso, o Santander Brasil, que no ano passado saiu derrotado na disputa pelos ativos do HSBC no país, que acabaram comprados pelo Bradesco por 5,2 bilhões de dólares, é um candidato natural, disse o presidente de um banco local de médio porte, que pediu para não ser identificado.

Procurados, Santander Brasil e Citi não comentaram o assunto.

O Citi opera no Brasil há mais de 100 anos. O banco tem 71 agências, 400 mil contas, 1 milhão de cartões emitidos e cerca de 5,5 mil funcionários. Em comparação, o Santander Brasil tem 2.662 agências e 50 mil funcionarios no país.

Segundo o consultor e ex-economista chefe da Febraban, Roberto Troster, todos os cinco maiores bancos do Brasil teriam condições de absorver as operações de varejo do Citi no país sem grande impacto nos índices de capital, dado que os ativos totais do grupo representavam pouco mais de 60 bilhões de reais no fim de 2014, o equivalente a cerca de um terço do tamanho do HSBC Brasil no período.

Por isso mesmo, disse Troster, a venda não deveria enfrentar grandes obstáculos regulatórios por parte do Banco Central.

"O BC pode argumentar interesse em ter instituições mais rentáveis e fortes, mesmo que isso signifique concentração", concordou o analista da Votorantim Corretora, Flavio Yoshida.

Para o diretor de instituições financeiras da Fitch, Eduardo Ribas, a autoridade monetária pode entender que é melhor para a saúde do sistema financeiro que o Citi no Brasil seja absorvido por outra entidade de maior porte.

"Ninguém vai mudar de patamar no Brasil comprando o Citi", disse Ribas.

O foco mundial do grupo em operações que ofereçam melhor rentabilidade foi o argumento usado pelo presidente-executivo do Citi, Michael Corbat, para justificar a decisão do grupo de sair do varejo na América Latina. [nL2N15Y0NX]

Segundo uma executiva do setor bancário, que pediu para não ser identificada, no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) a transação tenderia a encontrar menos problemas para aprovação da venda caso o comprador fosse o Santander Brasil, maior estrangeiro, mas apenas o quinto maior banco de varejo no país.

BB e Caixa foram autorizados nesta semana pela Câmara dos Deputados a comprar participação em empresas, mas segundo analistas, por terem menor folga de capital, ambos tenderiam a ficar de fora da disputa.

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