Banco Votorantim deve reduzir mais a carteira de crédito em 2016

Por Aluísio Alves

SÃO PAULO (Reuters) - O Banco Votorantim, especializado em créditos automotivo e de atacado, deve seguir reduzindo seu estoque de crédito nos próximos trimestres, como parte do esforço de manter a qualidade do balanço, disse o presidente-executivo da instituição financeira, João Teixeira.

"A carteira encolheu e é provável que encolha mais", disse Teixeira em entrevista à Reuters na tarde de sexta-feira. O Banco Votorantim tem o controle dividido entre Grupo Votorantim e Banco do Brasil.

O foco da instituição em linhas que considera mais seguras já tem feito encolher o saldo total de empréstimos. Em setembro passado, dado mais recente disponível, a carteira ampliada do banco era de 66,2 bilhões de reais, queda de 3 por cento em 12 meses. BB e Banco Votorantim divulgam seus dados do quarto trimestre na próxima quinta-feira.

Segundo o executivo, no financiamento de veículos, principal mercado do Banco Votorantim, o foco se concentrou ainda mais no segmento de usados, no qual tem mais experiência. E os empréstimos são condicionados a compradores que aceitam pagar pelo menos 40 por cento do bem à vista. Isso leva o banco a recusar cerca de 60 por cento dos pedidos de financiamento.

"Como há um empenho maior do comprador na saída, a chance de inadimplência é muito menor", disse Teixeira.

Sem mencionar números, o executivo disse que isso tem ajudado a manter sob controle o índice de inadimplência acima de 90 dias da carteira total, que era de 5,3 por cento em setembro, ante 5,9 por cento um ano antes.

Em outra frente, o Banco Votorantim saiu por completo do chamado "middle market", de empresas com faturamento inferior a 200 milhões de reais por ano, um dos segmentos mais atingidos pela crise econômica do país.

"Não tem mágica; temos que nos ajustar às condições de mercado", disse Teixeira, que assumiu o comando do banco em 2011, cerca de dois anos após o BB ter assumido 50 por cento do Banco Votorantim.

Desde então, o executivo vem comandando um processo árido de reestruturação do banco, que teve prejuízo superior a 3 bilhões de reais de 2012 a 2013, na esteira de apostas mais agressivas no financiamento automotivo. O quadro de funcionários, por exemplo, caiu em quase 40 por cento durante sua gestão.

Com isso, o banco vem se mantendo no azul nos últimos dois anos, embora com rentabilidade sobre o patrimônio de apenas 7 por cento, pouco mais de metade do índice do BB e cerca de um terço dos registrados por Itaú Unibanco e Bradesco.

A meta de Teixeira era de que a rentabilidade do Banco Votorantim se alinhasse à média do mercado já neste ano, mas a forte retração econômica do país interrompeu os planos.

Segundo o executivo, a rentabilidade pode inclusive cair nos próximos trimestres, dado o foco do grupo no controle da inadimplência e a efeitos como o aumento da alíquota de Contribuição sobre o Lucro Líquido (CSLL) sobre instituições financeiras, no ano passado.

O processo de reestruturação também legou ao banco uma série de contingências trabalhistas e cíveis. Para ajudar a manter resultados positivos, o banco tem ativado créditos fiscais, mas de forma conservadora. "Mas vamos continuar operando no azul", disse o executivo.

Para diversificar as fontes de receita, o Banco Votorantim está ampliando a oferta de produtos como seguros e planos de previdência, em parceria com BB e Mapfre.

Como projetos-piloto, a instituição está trabalhando em algumas linhas, entre elas o crédito consignado para o setor privado e o chamado "home equity", financiamento que tem o imóvel como garantia.

"Estamos azeitando o banco para estar forte e explorar os melhores mercados quando o país sair da crise", afirmou Teixeira.

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