Investigador argentino diz que morte de promotor Nisman aponta para assassinato

Por Hugh Bronstein

BUENOS AIRES (Reuters) - O promotor argentino Alberto Nisman, que morreu no ano passado poucos dias depois de acusar a então presidente da Argentina, Cristina Kirchner, de acobertar a suposta participação do Irã no atentado a um centro judaico, aparentemente foi assassinado, disse nesta quinta-feira um agente que investiga o caso.

Nisman foi encontrado morto por um tiro no banheiro de seu apartamento em Buenos Aires 13 meses atrás. O caso foi classificado como suicídio, uma ideia que os familiares e amigos de Nisman descartaram como absurda. Pesquisas mostram que a maioria dos argentinos acredita ter se tratado de um homicídio.

"Os indícios até este momento sustentam a hipótese de que Alberto Nisman foi vítima de um crime de homicídio", escreveu Ricardo Saenz, procurador-geral da Corte de Apelações Criminais de Buenos Aires, em uma recomendação para que o caso seja encaminhado às autoridades federais e tratado como uma investigação de assassinato.

Foi a primeira vez que uma autoridade jurídica classificou a morte como homicídio. A revelação veio à tona em meio a uma série de mudanças realizadas desde a posse do novo presidente, Mauricio Macri, em dezembro.

Durante sua campanha, Macri se comprometeu a desvendar o mistério da morte de Nisman e prometeu justiça quando se reuniu, no mês passado, com as filhas de Nisman, que são querelantes no caso. 

Quando o corpo de Nisman foi encontrado, faltava menos de um dia para que ele comparecesse perante o Congresso para delinear sua acusação, segundo a qual Cristina tentou encobrir o suposto papel do Irã no atentado à Associação Mutual Israelita Argentina (Amia) com um caminhão-bomba em 1994.

Encontrado no chão, com uma pistola a seu lado e uma bala na cabeça, Nisman vinha conduzindo o inquérito a respeito do ataque.

Cristina disse que Nisman foi induzido por um ex-chefe da agência de espionagem da Argentina e seus asseclas a fabricar alegações infundadas para desestabilizar seu governo. Ela especulou que o ex-espião achou necessário silenciá-lo.

"Eles o usaram enquanto estava vivo e depois precisaram que morresse", afirmou ela vários dias depois da morte do promotor.

Teerã negou reiteradamente qualquer ligação com o atentado, e um juiz argentino descartou as acusações de Nisman contra Cristina, considerando-as improcedentes.

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