Usinas eólicas atingidas por vendaval viram prejuízo para Eletrosul e Rio Bravo

Por Luciano Costa

SÃO PAULO (Reuters) - Duas usinas eólicas construídas pela Eletrosul, da Eletrobras, e pelo fundo Rio Bravo estão paradas e foram assumidas como prejuízo pelos acionistas, além de estarem inadimplentes junto ao mercado de energia, após problemas iniciados com um vendaval que derrubou 8 das 19 máquinas no final de 2014.

A quebra do fabricante argentino das turbinas Impsa e altos custos de reconstrução têm minado tentativas de sanar o problema, enquanto cobranças para que as empresas comprem energia no mercado, para compensar o que não foi entregue devido à paralisação, aumentam a penúria dos empreendimentos.

A admistradora das usinas, a Livramento Holding --da Eletrosul, Rio Bravo e do fundo de previdência dos funcionários da Eletrosul--, tem 11 milhões de reais em débitos com a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) desde outubro passado. A energia dos parques havia sido vendida antecipadamente a distribuidoras em contratos de longo prazo.

"Pedimos a suspensão dos contratos para que pudéssemos reconstruir os parques... na época em que fizemos o pedido, o custo estimado de reconstrução por aerogerador era em torno de 7 milhões de reais... por conta do dólar, o preço hoje está em quase 14 milhões", afirmou à Reuters o diretor financeiro da Livramento, Fábio Maimoni Gonçalves.

A Livramento já injetou o dobro dos recursos previstos nos empreendimentos, disse o executivo, e não tem mais fôlego para investimentos extras ou para comprar energia no mercado.

"O mercado de crédito mudou de lá para cá, hoje a gente não consegue mais financiar essa reconstrução... as taxas de juros são inviáveis e você também não consegue (acesso a) crédito", afirmou.

Um forte vendaval em setembro de 2014 derrubou metade das máquinas das usinas, mas a Livramento precisou paralisar os parques inteiramente para averiguar danos nas demais turbinas.

Como a Impsa não presta mais serviços e os equipamentos das usinas tinham uma especificidade, não tem sido possível concluir as atividades necessárias para retomar a produção, disse Gonçalves.

Ele afirmou que a companhia tem buscado uma solução junto à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), mas considera que uma demora do regulador para se manifestar sobre a situação aumentou ainda mais as dificuldades.

Os acionistas avaliam agora a possibilidade de ir à Justiça e alegar que não podem ser responsabilizados pelos problemas da Impsa, pela imprevisibilidade do acidente climático e mesmo pela lentidão de uma decisão do regulador sobre os parques.

Segundo Gonçalves, dada a falta de receitas e a impossibilidade de retomada no atual contexto, a Livramento já assumiu as perdas com o empreendimento.

"Só mantivemos como ativo recuperável a subestação e as linhas (de transmissão da usina). O resto tivemos que lançar a prejuízo".

As usinas Cerro Chato e Cerro dos Trindade foram construídas em Santana do Livramento, no Rio Grande do Sul.

A Livramento soma 78 megawatts em potência instalada, dos quais 54 megawatts estão parados.

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