Iranianos votam em eleição legislativa que pode moldar Irã pós-sanções

Por Samia Nakhoul

TEERÃ (Reuters) - Milhões de iranianos votaram nesta sexta-feira em eleições de importância crucial que podem mudar o equilíbrio de poder na elite do país, controlada por islâmicos linha-dura, seja abrindo caminho para uma retomada reformista ou ajudando os conservadores a se firmarem no controle.

O pleito é visto por alguns analistas como um momento 'tudo ou nada' que pode moldar o futuro da próxima geração do país persa, onde quase 60 por cento da população de 80 milhões de habitantes tem menos de 30 anos.

Os primeiros sinais apontaram uma participação entusiasmada nas eleições, as primeiras desde que o acordo nuclear que Teerã firmou no ano passado com potências globais levou à suspensão de sanções econômicas e a um maior engajamento diplomático no exterior.

Longas filas se formaram nas seções eleitorais da capital, e a televisão estatal mostrou multidões de eleitores nas cidades de Ahvaz e Shiraz. Não ficou claro como o comparecimento poderá determinar o desfecho da votação.

"Quem quer que goste do Irã e de sua dignidade, grandeza e glória deveria votar. O Irã tem inimigos. Eles estão nos observando com avidez", disse o líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, depois de depositar seu voto, referindo-se às potências ocidentais.

"O comparecimento deveria ser alto o suficiente para decepcionar nossos inimigos... as pessoas deveriam ser conscienciosas e votar de olhos abertos, deveriam votar com sabedoria".

Está em disputa o controle do parlamento de 290 cadeiras e a Assembleia de Especialistas, que conta com 88 membros e tem poder para indicar e afastar o líder supremo, a figura mais poderosa do regime iraniano. Atualmente as duas instituições estão nas mãos de conservadores.

Durante seu próximo mandato de oito anos, o organismo pode nomear o sucessor de Khamenei, que está com 76 anos e comanda a nação desde 1989.

O controle do parlamento irá influenciar a capacidade do presidente Hassan Rouhani, um moderado, de cumprir as promessas de maiores liberdades e reformas econômicas – assim como suas próprias chances de reeleição no ano que vem.

(Reportagem adicional de Babak Dehghanpisheh, Bozorg Sharafedin e Sam Wilkin)

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