Suíço Infantino é eleito presidente da Fifa e promete "restaurar respeito"

Por Mike Collett

ZURIQUE (Reuters) - O dirigente de futebol suíço Gianni Infantino prometeu nesta sexta-feira libertar a Fifa de uma era de corrupção e escândalos ao ser eleito presidente da entidade reguladora do futebol mundial no lugar de Joseph Blatter.

"Iremos restaurar a imagem da Fifa e o respeito da Fifa, e todos neste mundo terão orgulho de nós", disse o bacharel em Direito de 45 anos, os sete últimos como secretário-geral da Uefa, que controla o futebol europeu, durante o congresso extraordinário da Fifa em Zurique.

Após uma primeira rodada de votação disputada, na qual por pouco não derrotou o xeique Salman Bin Ebrahim Al Khalifa, presidente da Federação Asiática de Futebol (AFC, na sigla em inglês), Infantino pareceu conseguir todos os votos concedidos aos outros dois candidatos no páreo, obtendo uma maioria simples de 115 votos na segunda rodada entre os 207 votos disponíveis.

Infantino deveu sua candidatura ao fato de que o postulante favorito da Europa, Michel Platini, presidente da Uefa e seu chefe, foi afastado do futebol no ano passado, assim como Blatter, por violações éticas.

Ele irá herdar um cargo muito diferente daquele ocupado por seu compatriota Blatter, que comandou a Fifa durante 17 anos como um chefe de Estado distribuindo fundos de desenvolvimento para sua base de apoio global.

Antes da eleição, o Congresso aprovou por grande maioria um pacote de reformas cujo objetivo é tornar a entidade mais transparente, profissional e responsável.

O pacote deve significar que o novo dirigente irá enfrentar um escrutínio muito maior do que Blatter e ter menos influência no dia a dia da administração dos negócios da organização.

As reformas incluem limites aos mandatos de altos dirigentes e a divulgação de seus rendimentos, além de uma separação clara entre um Conselho da Fifa escolhido por votação e responsável pela estratégia como um todo e um secretariado-geral profissional semelhante ao conselho executivo de uma empresa para lidar com o lado comercial de suas atividades.

Grande parte da campanha de Infantino se centrou em seu tino comercial – durante seus sete anos na secretaria-geral da Uefa a renda das competições dos clubes europeus cresceu acentuadamente, mas também a desigualdade entre os ricos e poderosos times de elite das quatro principais ligas da Europa e os restantes.

Mas muitas das habilidades exigidas a partir de agora se voltarão para o gerenciamento de crises.

Investigações criminais da Suíça e dos Estados Unidos resultaram no indiciamento de dezenas de dirigentes do esporte e outras entidades por corrupção, muitos deles presidentes atuais ou antigos de associações nacionais ou continentais.

Além disso, a Fifa se viu obrigada a investigar controvérsias cercando a concessão das Copas do Mundo de 2018 e 2022 à Rússia e ao Catar, respectivamente.

As autoridades suíças estão analisando mais de 150 relatórios de atividades financeiras suspeitas ligadas a estes eventos, e na quinta-feira disseram ter encaminhado mais documentos, incluindo um relatório interno da Fifa, aos investigadores dos EUA.

(Reportagem adicional de Mike Collett, Brian Homewood e Joshua Franklin)

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