União Europeia firma pacto para restabelecer laços com Cuba

Por Nelson Acosta

HAVANA (Reuters) - A União Europeia e Cuba assinaram um acordo em Havana nesta sexta-feira para estabelecer relações normais, aumentando a inserção da ilha comunista na arena internacional e abrindo caminho para uma cooperação econômica plena com o bloco de 28 países.

O ministro das Relações Exteriores cubano, Bruno Rodríguez, e a representante de política externa da UE, Federica Mogherini, testemunharam a assinatura do pacto, que irá substituir uma política imposta pela Europa 20 anos atrás que clamava por mudanças no sistema político de partido único de Cuba.

    "Este acordo inicia um novo capítulo na história das relações entre a União Europeia e Cuba", disse Federica pouco depois de o negociador do bloco, Christian Leffler, e o vice-chanceler cubano, Abelardo Moreno, firmarem o pacto.

    Rodríguez disse que os dois lados se reunirão em breve para retomar um diálogo sobre direitos humanos que começaram em Bruxelas no ano passado.

    O entendimento é mais um passo no rápido descongelamento das relações cubanas com o Ocidente desde sua reaproximação dos Estados Unidos em 2014 e da renegociação de débito com as nações abastadas do Clube de Paris em dezembro último.

    Ele ainda ocorre a poucos dias de uma visita do presidente dos EUA, Barack Obama, a Havana no dia 20 de março, a primeira de um mandatário norte-americano desde a revolução cubana de 1959.

    Dias depois da visita, a banda de rock Rolling Stones irá tocar na ilha caribenha pela primeira vez. Nesta semana, o grupo de música eletrônica Major Lazer entreteve 400 mil jovens cubanos à beira-mar na capital cubana, o maior espetáculo de um artista dos EUA no país.

    Apesar da reaproximação, Washington mantém o embargo econômico contra Cuba, o que torna mais difícil para empresas europeias com negócios nos EUA operarem na ilha.

    Mogherini criticou severamente as sanções norte-americanas.

    "O embargo dos EUA está totalmente obsoleto", afirmou. "O bloqueio é uma medida que pertence a outro século. Agora as prioridades são diálogo e cooperação."

    O acordo da UE, que estabelece parâmetros para comércio e assistência, precisa agora ser ratificado pelos governos do bloco e de Cuba.

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