Vacina de dengue feita nos EUA se revela 100 por cento eficaz em estudo limitado

Por Will Dunham

WASHINGTON (Reuters) - Uma vacina contra dengue desenvolvida pelos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos imunizou todas as pessoas que a receberam contra o vírus em um estudo pequeno, mas promissor, publicado nesta quarta-feira, e os pesquisadores disseram que ela pode estar amplamente disponível até 2018.

Os cientistas também expressaram a esperança de que a abordagem que usaram para a vacina contra dengue possa servir para criar uma vacina para o Zika vírus, que está na mesma família viral e é transmitido pela mesma espécie de mosquito – o Aedes Aegypti. O Zika, que está ligado no Brasil a numerosos casos de microcefalia, uma má-formação craniana, está se disseminando rapidamente pela América Latina e pelo Caribe.

    Os pesquisadores administraram a vacina de dose única, chamada TV003, a um grupo de voluntários, e seis meses depois os expôs à dengue-2, uma das quatro cepas diferentes do vírus.

    Todas as 21 pessoas ficaram protegidas da infecção, e todas as 20 pessoas que receberam uma injeção de placebo desenvolveram a infecção da dengue depois de serem expostas ao vírus. Todas estas tinham o vírus no sangue, 80 por cento desenvolveram irritação cutânea e 20 por cento mostraram uma contagem baixa de glóbulos brancos.

    Os resultados foram muito promissores e criaram uma "grande expectativa" de que a vacina irá proteger pessoas em áreas onde a dengue é endêmica, disse a médica e pesquisadora de vacinas Anna Durbin, da Escola de Saúde Pública Johns Hopkins Bloomberg, na cidade norte-americana de Baltimore.

A dengue, encontrada nas regiões tropicais e subtropicais, infecta quase 400 milhões de pessoas em mais de 120 países anualmente. A maioria sobrevive com poucos sintomas ou nenhum, mas todos os anos mais de 2 milhões de pessoas desenvolvem dengue hemorrágica, que mata mais de 25 mil delas a cada ano.

A vacina foi feita com uma mistura de quatro vírus vivos e enfraquecidos direcionados a cada uma das quatro cepas diferentes.

Os voluntários foram expostos a uma versão geneticamente modificada do vírus da dengue-2 isolado em Tonga em 1974, que era conhecido por só causar uma doença amena.

Baseado em parte neste estudo, em fevereiro o Instituto Butantan iniciou um amplo teste clínico de Fase III para confirmar a eficácia da vacina em ocorrências naturais de dengue. Dezessete mil pessoas devem participar, disse Anna Durbin.

Se o teste no Brasil caminhar bem, o Butantan pode disponibilizar a vacina amplamente até 2018, acrescentou.

    A empresa farmacêutica Sanofi já tem uma vacina contra dengue, a Dengvaxia, e em dezembro o México se tornou o primeiro país do mundo a aprovar seu uso. Mas a vacina de três doses só foi aprovada para ser aplicada em uma população limitada – pessoas entre 9 e 45 anos de idade que vivem em áreas onde a moléstia é endêmica, o que significa que crianças e turistas não podem recebê-la, e ainda há dúvidas sobre sua eficiência.

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