Governo da Síria exclui Aleppo de tréguas; ONU fala em "descaso monstruoso"

Por Lisa Barrington

BEIRUTE (Reuters) - A Síria decretou tréguas nos arredores de Damasco e em uma província do norte nesta sexta-feira, mas não freou os combates no principal campo de batalha de Aleppo após uma intensificação da violência que a Organização das Nações Unidas (ONU) disse revelar um "descaso monstruoso" pelas vidas de civis.

Um novo "regime de calma" deve ter início à 1h da manhã local de sábado e durar um dia em Ghouta, bairro do leste da capital, e três no interior da província costeira de Latakia, ao norte, disse o Exército em um comunicado.

Mas, ao excluir a cidade de Aleppo, cenário dos piores episódios recentes de violência, as tréguas breves dificilmente irão ressuscitar o cessar-fogo e as conversas de paz que desmoronaram nesta semana.

No pior dos ataques recentes, um bombardeio aéreo destruiu um hospital em uma área controlada por rebeldes de quarta para quinta-feira. A entidade francesa Médicos Sem Fronteiras, que auxiliava o hospital, disse nesta sexta-feira que o número de mortes subiu para pelo menos 50, incluindo seis médicos.

Uma fonte militar síria afirmou que Aleppo foi excluída das tréguas recém-anunciadas "porque em Aleppo há terroristas que não pararam de atingir a cidade e seus moradores... há um grande número de mártires em Aleppo, e é por isso que a situação é diferente lá".

A agência russa de notícias Interfax citou o agente a cargo de um centro russo de monitoramento do cessar-fogo segundo o qual as tréguas significam que todas as ações militares serão interrompidas nas áreas contempladas.

Damasco descreveu as tréguas como uma tentativa de preservar um acordo de "cessação das hostilidades" mais amplo e em vigor desde fevereiro. Esse cessar-fogo, patrocinado por Washington e Moscou, deu ensejo a conversas de paz, mas desandou completamente nos últimos dias, assim como as negociações em Genebra.

A violência está "disparando de volta para os níveis que vimos antes da cessação das hostilidades", disse o Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Zeid Ra'ad al-Hussein.

"Existem relatos profundamente perturbadores sobre reforços militares indicando preparativos para uma escalada letal", afirmou Zeid em um comunicado que descreveu um "descaso monstruoso pelas vidas de civis por parte de todos os lados do conflito".

O domínio total de Aleppo seria o prêmio mais importante para o presidente sírio, Bashar al-Assad, que vem tendo dificuldade para manter o controle de seu país ao longo da guerra civil de cinco anos que, segundo o enviado da ONU, Staffan de Mistura, matou até 400 mil pessoas.

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