Grupo de logística TPC mira investimentos em terminais portuários no Arco Norte e Nordeste

Por Priscila Jordão

SÃO PAULO (Reuters) - O grupo de logística TPC, um dos maiores do Brasil, planeja aumentar a representatividade da área portuária em suas operações e mira investimentos na exportação de grãos no chamado Arco Norte, além de investimentos no Nordeste, após adquirir participação na empresa de logística portuária CMLog.

O grupo, que opera armazéns de carga geral e centros de distribuição em 23 estados, adquiriu recentemente fatia de 25 por cento na CMLog, que também tem como sócio o Grupo Columbia e oferece serviços como operações de carga e descarga de navios, transporte, armazenagem, distribuição e gerenciamento logístico.

Por meio da CMLog, a ideia da TPC é obter um ganho qualitativo nas operações portuárias e futuramente entrar na disputa pelo arrendamento do terminal de granéis sólidos do porto de Aratu (BA).

O terminal integra o Bloco 2 das licitações portuárias do governo federal, atualmente em estudos.

A empresa também está em fase de discussão adiantada de um projeto para um novo terminal privado para exportação de grãos no chamado Arco Norte, região que engloba portos na calha do Rio Amazonas e no litoral do Norte e do Nordeste.

"Não posso abrir (detalhes) porque o estudo pressupõe confidencialidade, mas estamos pensando muito no Arco Norte", disse à Reuters o vice-presidente de infraestrutura do grupo TPC, Sergio Faria.

A ideia é repetir a experiência do terminal que o TPC tem atualmente em conjunto com a indústria de alimentos M. Dias Branco, o Terminal Portuário de Cotegipe, na Bahia, de importação e exportação de grãos.

Além disso, o TPC tem um outro projeto que "interessa de perto" na região Nordeste, disse o executivo, sem dar detalhes.

Atualmente, o TPC gerencia o Terminal Portuário Miguel de Oliveira, também no litoral baiano, único porto privado da montadora de veículos Ford no mundo.

"Hoje a atividade portuária do grupo (sem a M. Dias Branco) se restringe muito à operação com a Ford. Não é muito significativa. Queremos aumentar porque temos 'expertise' e queremos transformar o que deu certo em Cotegipe e multiplicar isso para outras áreas, inclusive em porto organizado", disse Faria, referindo-se a áreas em portos públicos já consolidados.

Segundo ele, a empresa chegou a estudar os arrendamentos propostos pelo governo no Arco Norte, mas os projetos não despertaram muito interesse.

"Hoje é muito mais atrativo pensar em terminal privado do que em porto público", afirmou, apontando como entraves os requisitos impostos pelo governo nas licitações e as limitações da legislação para atuar em portos públicos, como a gestão da mão de obra.

O governo pretendia inicialmente ter licitado área de granéis vegetais em Vila do Conde, no Pará, no primeiro leilão de áreas portuárias do governo, ocorrido em dezembro, mas não houve interessados.

PETRÓLEO

No segmento de portos organizados, o executivo da TPC diz que a companhia tem interesse em atuar por meio da CMLog no Porto de Ilhéus (BA).

Embora o governo não tenha planos definidos para o porto, a empresa avalia que o terminal pode ser interessante para movimentação de cargas de projetos e apoio a plataformas de petróleo, disse Farias.

Além das áreas de logística geral e portuária, o TPC começou a atuar a partir de 2010 no segmento de óleo e gás, no qual a Petrobras é a principal cliente.

Desde então, os negócios no segmento passaram a representar de 10 a 12 por cento do faturamento do grupo, que totalizou 360 milhões de reais em 2015, sem considerar o porto de Cotegipe.

Com a crise na Petrobras, as licitações diminuíram, disse Faria. Por esse motivo e devido ao crescimento de outros segmentos, o TPC não espera que o setor de óleo e gás amplie a representatividade no faturamento nos próximos dois anos.

LOGÍSTICA GERAL

Para a logística geral, que foi afetada pela recessão econômica em 2015, Farias acredita que "o pior já passou".

"Existe esse movimento (do cliente) de enxergar custos, mas a gente começa a enxergar a luz no fim do túnel e alguns investimentos começam a retornar".

Segundo o executivo, aquisições de empresas no segmento de armazenagem e distribuição também estão no radar do TPC para os próximos anos.

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