Líderes conservadores desafiam primeiro-ministro britânico sobre imigração no debate relativo à UE

Por Elizabeth Piper

LONDRES (Reuters) - Dois líderes conservadores acusaram neste domingo o primeiro-ministro britânico, David Cameron, de quebrar sua promessa de reduzir a imigração, intensificando as hostilidades dentro do partido que luta para vencer o referendo no próximo mês sobre a permanência da União Europeia.

Em uma carta aberta a Cameron, o ministro da Justiça, Michael Gove, e o ex-prefeito de Londres Boris Johnson disseram que o fracasso em frear a imigração é "corrosivo para a confiança pública na política".

Cameron lidera uma campanha para persuadir eleitores a manter o Reino Unido na União Europeia no referendo de 23 de junho, e os partidários da “Permanência” disseram que a tentativa de ativistas pró saída britânica da UE em mudar o debate para a imigração mostra que os que são contra a permanência perderam o argumento econômico.

Na carta circulada pela campanha "Vote pela Saída" (Vote Leave), Gove, Johnson e Gisela Stuart, que é membro do Partido Trabalhista de oposição e colega ativista, disseram que havia sido prometido aos eleitores uma redução em dezenas de milhares na imigração líquida.

"Não será possível cumprir essa promessa enquanto o Reino Unido for membro da UE e a incapacidade de mantê-la é corrosiva para a confiança pública na política", disseram.

Eles apontaram estatísticas oficiais divulgadas na semana passada que mostram que a migração líquida para a Grã-Bretanha chegou a 333 mil em 2015, o segundo maior nível anual desde que os registros começaram, em 1975. Desses, 184 mil são provenientes da UE, que consagra o princípio da livre circulação.

A imigração está se tornando um debate cada vez mais amargo sobre a permanência na UE, com muitos eleitores preocupados com a pressão de um número crescente de pessoas nas escolas, nos hospitais e na habitação.

"O motivo pelo qual as pessoas a favor da saída estão dia após dia focadas na imigração é porque perderam o debate sobre a economia", disse à BBC Tony Blair, ex-primeiro-ministro pelo Partido Trabalhista e a favor da permanência.

“Agora está claro ... caso votássemos pela saída o impacto econômico seria severo”, disse ele.

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