Papa homenageia mortos em genocídio armênio

Por Margarita Antidze e Philip Pullella

YEREVAN (Reuters) - "Com dor em meu coração". Foi assim que o papa Francisco homenageou neste sábado 1,5 milhão de armênios massacrados em 1915, em evento que ele classificou como um genocídio, arriscando-se a causar a ira de turcos.

O pontífice, em seu segundo dia de visita à Armênia, fez pela manhã uma parada no Tzitzernakaberd, o "Memorial e Museu do Genocídio", uma estrutura circular de granito que envolve uma chama eterna em uma montanha ao lado da capital armênia.

Claramente tocado pela situação, o papa participou de uma oração ao lado do presidente armênio, Serzh Sarksyan, e líderes da Igreja Apostólica Armênia.

"Aqui eu rezo, com dor no meu coração, para que nunca mais haja tragédias como esta, para que a humanidade não esqueça e saiba como superar o mal com o bem", escreveu Francisco no livro de visitas, em italiano.

Na noite da sexta-feira, em discurso ao presidente, membros do governo e diplomatas, o papa rejeitou o seu texto pré-preparado para usar a palavra "genocídio", descrição que enfureceu a Turquia há um ano.

A Turquia admite que muitos cristãos armênios que viviam no império otomano foram mortos em combates contra as forças otomanas durante a Primeira Guerra Mundial, mas contesta os números e nega que as mortes tenham sido sistematicamente planejadas e constituem um genocídio. De acordo com o país, muitos turcos muçulmanos também morreram na época.

"Não há por que não usar essa palavra nesse caso", disse o porta-voz do Vaticano, padre Federico Lombardi, na noite de sexta-feira. "A realidade é clara e nunca a negamos."

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