Dólar sobe ante real com ação do BC e mau humor no exterior

Por Bruno Federowski

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar subia frente ao real nesta quarta-feira, após o Banco Central intervir no mercado pela quarta sessão consecutiva para elevar as cotações e em meio ao mau humor nos mercados globais com a opção britânica por deixar a União Europeia (UE).

No Brasil, investidores preferiam estratégias defensivas enquanto aguardavam a definição da meta fiscal para 2017, que será decidida em reunião nesta noite.

Às 10:37, o dólar avançava 0,62 por cento, a 3,3214 reais na venda, após subir mais de 1 por cento e atingir 3,3384 reais na máxima do dia. A moeda norte-americana fechou em alta nas três sessões anteriores.

O dólar futuro subia cerca de 0,5 por cento.

"A atuação repetida (do BC), mas com lotes pequenos, é um sinal claro de que o mercado exagerou quando levou o dólar para patamares tão baixos", disse o operador da corretora B&T Marcos Trabbold.

O BC ofertou e vendeu integralmente pela quarta sessão seguida 10 mil swaps reversos, que equivalem a compra futura de dólares, reduzindo sua exposição cambial em 2 bilhões de dólares. O ritmo é lento em comparação com a postura adotada pelo BC sob a batuta de Alexandre Tombini, que antecedeu Ilan Goldfajn como presidente da instituição.

Tombini usou swaps reversos para reduzir a posição da autoridade monetária em swaps tradicionais, que equivalem a venda futura de dólares, de cerca de 100 bilhões de dólares no fim de 2015 para pouco mais de 60 bilhões de dólares quando deixou o cargo no mês passado.

O BC passou mais de um mês sem realizar leilões de swap reverso mas retomou o instrumento na semana passada após o dólar marcar a maior queda mensal em 13 anos em junho, embalado pelo otimismo cauteloso dos investidores com o Brasil.

Nesta sessão, a alta da moeda norte-americana vinha também em linha com os mercados externos, onde preocupações com possíveis impactos econômicos provocados pela saída britânica da UE novamente levava investidores a evitarem ativos de alto risco.

"O mau humor de ontem atravessou a noite e segue firme para a sessão desta quarta-feira", escreveram analistas da corretora H.Commcor em nota a clientes.

No cenário local, investidores aguardavam a definição da meta fiscal para 2017. A expectativa é que o rombo primário projetado para o ano que vem fique abaixo dos 170 bilhões de reais previstos para este ano, mas há discordâncias dentro do governo sobre a estimativa exata.

(Por Bruno Federowski)

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