Novos confrontos no Sudão do Sul aumentam medo de guerra civil

Por Denis Dumo

JUBA (Reuters) - Novos confrontos eclodiram neste domingo na capital do Sudão do Sul, e forças leais ao vice-presidente Riek Machar disseram que a residência dele foi atacada por tropas do presidente Salva Kiir, o que aumenta o medo de que a nação entre em guerra civil.

O governo de Kiir não emitiu uma respota imediata às declarações do porta-voz de Machar. O ministro da Informação do presidente disse, mais cedo, que a situação estava sob controle e instou a população a ficar dentro de suas casas.

Os dois líderes, que se enfrentaram em uma guerra civil que começou no final de 2013 e que se prolongou por dois anos, pediram calma depois que, na quinta-feira, começaram conflitos entre facções rivais. Pelo menos 272 pessoas morreram nos atos de violência, disse uma fonte do Ministério da Saúde à Reuters, no domingo.

O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, disse que Kiir e Machar deveriam tomar medidas para recuperar o controle da situação de segurança em Juba e apelou para que ordenassem o recuo de suas tropas.

A Missão de Assistência das Nações Unidas no país (UNMISS, na sigla em inglês) declarou estar "indignada com o recomeço da violência" que disse ter feito centenas de pessoas refugiarem-se em sua base. O Conselho de Segurança da ONU disse que convocaria uma reunião mais tarde, neste domingo, para discutir a violência no país.

Os conflitos começaram na quinta-feira, quando tropas leais a Kiir detiveram veículos de seguidores de Machar e exigiram poder revistá-los. Na sexta-feira, guarda-costas do vice-presidente e guardas presidenciais enfrentaram-se quando os dois líderes estavam reunidos discutindo modos de dissipar a tensão.

"A União Europeia se unirá à comunidade internacional e aos vizinhos do Sudão do Sul para assegurar que a paz se restabeleça rapidamente", disse a UE, em um comunicado, neste domingo.

A guerra civil no Sudão do Sul foi disputada principalmente entre duas etnias, os Dinka, da qual pertence Kiir, e os Nuer, de Machar. Os conflitos desde 2013 deixaram grandes segmentos da população de 11 milhões de pessoas sem alimentos e interromperam a produção de petróleo do país, a maior fonte de investimentos do governo.

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