Theresa May vence disputa para premiê britânica após desistência de rival pró-Brexit

Por Elizabeth Piper e Mark Trevelyan

LONDRES (Reuters) - A ministra britânica do Interior, Theresa May, irá se tornar a primeira-ministra do Reino Unido na quarta-feira com a tarefa de conduzir a saída do país da União Europeia depois que sua rival Andrea Leadsom, encerrou abruptamente sua campanha curta e desastrosa pela liderança do Partido Conservador.

May, de 59 anos, irá suceder David Cameron, que anunciou sua renúncia depois que os britânicos votaram no mês passado em um referendo que decidiu a desfiliação do país da UE. A planejada separação do Reino Unido enfraqueceu o bloco de 28 nações, criou uma grande incerteza a respeito do comércio e dos investimentos e abalou os mercados financeiros.

    May e Leadsom deveriam disputar a liderança entre os membros do partido, e o resultado deveria ser anunciado em 9 de setembro. Mas Leadsom desistiu subitamente nesta segunda-feira após uma campanha assombrada por comentários infelizes sobre a falta de filhos de sua adversária e dúvidas sobre a possibilidade de ela ter exagerado seu currículo.

    "Causa-me honra e humildade ter sido escolhida pelo Partido Conservador para me tornar sua líder", disse May, que foi a favor da permanência britânica na UE, mas deixou claro que não há volta no referendo de 23 de junho.

    "Brexit (saída britânica da UE) significa Brexit, e faremos dele um sucesso."

    Mais cedo, Cameron disse aos repórteres diante da residência oficial do premiê, o número 10 de Downing Street, que deve presidir sua última reunião de gabinete na terça-feira e responder perguntas no Parlamento na quarta-feira antes de entregar sua carta de renúncia à rainha Elizabeth.

    May irá se tornar a segunda mulher a ocupar o cargo de premiê no Reino Unido. A primeira foi a também conservadora Margaret Thatcher, uma das principais lideranças britânicas do século passado.

    Sua vitória significa que o processo complexo de separar o Reino Unido da UE será conduzido por alguém do lado derrotado da consulta popular do mês passado. Ela já disse que o país precisa de tempo para elaborar sua estratégia de negociação e que não deveria iniciar os procedimentos formais de rompimento antes do final do ano.

    Em um discurso feito no início desta segunda-feira na cidade de Birmingham, no centro do país, May disse que não pode haver um segundo referendo e nenhuma tentativa de voltar à UE pela porta dos fundos.

    "Como primeira-ministra, farei com que saiamos da União Europeia", afirmou.

    Leadsom, de 53 anos, era uma ministra da Energia pouco conhecida do público britânico até emergir como uma voz de destaque na campanha bem-sucedida pela desfiliação do país da União Europeia.

    Ela vinha sendo muito criticada por uma entrevista a um jornal na qual pareceu insinuar que ser mãe significava que ela tinha mais em jogo no futuro do país do que May, que não tem filhos. Alguns conservadores disseram ter ficado indignados com os comentários, pelos quais Leadsom se desculpou mais tarde, enquanto outros afirmaram que eles revelaram ingenuidade e falta de discernimento.

    Leadsom disse aos repórteres que estava se retirando da disputa para evitar uma campanha de nove semanas incerta em um momento no qual se exige uma liderança forte. Ela reconheceu que May conquistou um apoio muito maior em uma votação de correligionários do Parlamento na semana passada.

    "Cheguei... à conclusão de que os interesses do país são mais bem servidos pela indicação imediata de uma primeira-ministra forte e bem apoiada. Estou, portanto, me retirando da eleição pela liderança e desejo a Theresa May o maior sucesso".

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