Obama busca tom de reconciliação em cerimônia por policias mortos em Dallas

Por Jon Herskovitz e Jeff Mason

DALLAS (Reuters) - O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, pediu aos norte-americanos nesta terça-feira para evitar o desespero por causa da violência, para transcender as divisões raciais e honrar os cinco policiais assassinados em Dallas num ataque com motivação racial.

O discurso de Obama numa cerimônia de homenagem à memória dos policiais mortos na quinta-feira ocorre também após uma série de mortes de homens negros por policiais nos últimos dois anos, incluindo dois na semana passada, que tem provocado o mais intenso debate sobre raça e justiça visto nos EUA desde o movimento pelos direitos civis dos anos 1960.

A fala do presidente buscou manter um equilíbrio cuidadoso entre o tributo aos policiais mortos, o respeito pela aplicação da lei no país, e a simpatia por aqueles que protestam contra a violência policial. Obama, o primeiro presidente norte-americano negro, também tentou deixar uma mensagem de esperança para um país que vem sofrendo com a violência.

Ele pediu que os norte-americanos superem sentimentos de desespero e resistam à polarização.

"Nós ligamos a TV ou navegamos na internet e podemos ver opiniões ficarem mais duras, limites serem estabelecidos, pessoas recuando para os seus respectivos cantos, e políticos calculando como atrair a atenção ou evitar adversidades”, afirmou Obama. “Vemos tudo isso, e é difícil não pensar às vezes que o centro não vai se manter e que as coisas podem ficar piores.”

"Eu entendo. Eu entendo como os norte-americanos estão se sentindo. Mas, Dallas, eu estou aqui para dizer que nós precisamos rejeitar esse desespero. Eu estou aqui para insistir que nós não somos tão divididos quanto parecemos. E eu sei porque eu conheço os EUA. Eu sei de quão longe nós viemos contra probabilidades impossíveis."

Depois de uma semana em que norte-americanos viram imagens de multidões irritadas protestando contra as mortes de homens negros pela polícia e ouviram os gritos do ataque a tiros contra a polícia em Dallas, a cerimônia desta terça terminou com Obama, o seu antecessor, George W. Bush, o chefe de polícia e o prefeito de Dallas dando as mãos numa ação que cruzou barreiras raciais e partidárias, enquanto um coral interpretava uma canção.

Os cinco policiais de Dallas foram mortos a tiros pelos veterano militar Micah Johnson, que disse à polícia que ele estava irritado com as mortes de homens negros por policiais. Johnson foi morto por um robô equipado com explosivos acionado pela polícia.

Obama lembrou que o ataque em Dalas se deu durante num protesto contra o preconceito racial no policiamento, manifestação ocorrida após mortes de homens negros por policiais em Baton Rouge, em Louisiana, e nos arredores de St. Paul, em Minnesota.

A tensão racial permanece um fato claro para os norte-americanos, disse o presidente.

"Nós sabemos que o preconceito continua. Nós sabemos”, declarou o presidente a uma audiência de centenas de pessoas, incluindo muitos policiais uniformizados. “Nenhum de nós é inteiramente inocente. Nenhuma instituição é inteiramente imune. E isso inclui os nossos departamentos de polícia.”

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